Caça Saab JAS 39 Gripen E da Força Aérea Sueca em voo sobre terreno florestal — o mesmo modelo que a Ucrânia acaba de encomendar
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Ucrânia assina contrato de $2,54 mil milhões por 16 caças Saab Gripen E — o caça que pode operar em estradas e pistas improvisadas

A Ucrânia deu um passo histórico na sua capacidade de defesa aérea: a Saab, fabricante sueca de equipamentos de defesa, assinou a 30 de junho de 2026 um contrato com a FMV (Administração Sueca de Material de Defesa) para o fornecimento de 16 caças Gripen E à Ucrânia, num negócio avaliado em aproximadamente SEK 24,6 mil milhões ($2,54 mil milhões / €2,37 mil milhões).

O contrato — o maior de sempre em caças para a Ucrânia desde o início da invasão russa — inclui, além das aeronaves, peças sobressalentes e equipamento associado. A encomenda será registada no terceiro trimestre de 2026 nos livros da Saab, com entregas programadas para 2029-2030. A Ucrânia, no entanto, espera começar a receber os primeiros aparelhos já em 2027, segundo fontes do governo ucraniano citadas pela imprensa internacional.

Um caça feito para a guerra moderna

O Saab Gripen E é a mais recente e avançada variante da família Gripen, um caça monomotor supersónico de quarta geração com capacidade furtiva reduzida e arquitetura de software aberta, que permite atualizações contínuas sem necessidade de redesenhar o hardware. É precisamente esta flexibilidade que o torna apelativo para a Ucrânia: o Gripen foi concebido para operar a partir de estradas, pistas temporárias e autobanhos, com capacidade de descolagem e aterragem em menos de 600 metros, o que lhe permite dispersar-se por centenas de locais e evitar ataques a aeródromos.

O caça está equipado com o radar Raven ES-05 AESA (Active Electronically Scanned Array), sensores infravermelhos Skyward-G e pode transportar uma combinação de mísseis ar-ar Meteor (alcance beyond visual range) e IRIS-T (curto alcance), além de armamento ar-superfície. O motor General Electric F414G confere-lhe uma velocidade máxima de Mach 2 e um raio de combate de aproximadamente 1.300 km.

Caça Saab Gripen E em voo sobre o oceano, armado com mísseis ar-ar IRIS-T e Meteor e tanque de combustível externo — o perfil de combate que a Ucrânia vai receber

O Gripen E é um dos caças mais avançados da Europa, com radar AESA, arquitetura de software aberta e capacidade de operar a partir de pistas improvisadas — caraterísticas essenciais para a doutrina de dispersão que a Ucrânia terá de adotar para proteger a sua nova frota.

A via dupla: Gripen E comprado, Gripen C/D doado

O contrato de compra é apenas metade da equação. Já a 28 de maio de 2026, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, anunciaram em Uppsala um acordo paralelo: a Suécia vai doar até 16 caças Gripen C/D (a versão anterior, mas ainda plenamente operacional) à Ucrânia, enquanto aguarda a produção dos Gripen E. O governo sueco reservou verbas para substituir os caças doados, garantindo que a capacidade da Força Aérea Sueca não é comprometida.

Esta abordagem de duas vias — C/D imediatos (doação) + E futuros (compra) — permite à Ucrânia começar a treinar pilotos e mecânicos no Gripen C/D já nos próximos meses, enquanto aguarda a versão mais avançada. O Gripen C/D partilha aproximadamente 80% da arquitetura de sistemas com o E, o que significa que a transição será relativamente suave quando os novos aparelhos chegarem.

O contexto geopolítico

O anúncio do contrato ocorre numa altura em que a Ucrânia procura diversificar a sua frota de caças, até agora dependente de MiG-29 e Su-27 de origem soviética, complementados por F-16 ocidentais entregues a partir de 2024. A integração do Gripen representa um desafio logístico significativo — uma terceira plataforma ocidental diferentes — mas também uma mais-valia estratégica: o Gripen foi especificamente concebido para cenários de conflito de alta intensidade com ameaça constante a infraestruturas aeroportuárias, exatamente o cenário que a Ucrânia enfrenta.

O valor total do contrato foi encontrado parcialmente através de um empréstimo concedido à Ucrânia no âmbito de um mecanismo de apoio financeiro mais alargado. O negócio também fortalece a posição da Saab no mercado global de caças, numa altura em que o programa concorrente do F-35 domina as vendas mundiais mas enfrenta críticas por custos de operação elevados e restrições de exportação.

É com profundo orgulho que a Suécia e a Saab podem agora permitir o fornecimento do Gripen E à Ucrânia, trazendo um caça de classe mundial que vai transformar a capacidade da Força Aérea Ucraniana. Isto vai reforçar significativamente a defesa aérea da Ucrânia e ajudar a garantir que a nação pode proteger o seu povo e salvaguardar o seu futuro.

— Micael Johansson, CEO e Presidente da Saab

O que muda para a Ucrânia

Com 16 Gripen E e potencialmente 16 Gripen C/D doados, a Ucrânia poderá operar até 32 caças suecos numa fase inicial. Embora este número esteja longe das centenas de aparelhos que a Rússia pode mobilizar, a qualidade e a flexibilidade operacional do Gripen — especialmente a sua capacidade de operar a partir de estradas e pistas danificadas — conferem à Ucrânia uma ferramenta de dissuasão significativa. Cada Gripen pode estar operacional 24 horas após uma missão de reabastecimento e rearmamento, e a sua taxa de disponibilidade é consistentemente superior a 90% nas forças aéreas que o operam.

O contrato entre a Saab e a FMV para 16 Gripen E representa um marco na história da defesa ucraniana e um voto de confiança no caça sueco como plataforma de combate de próxima geração. Se as entregas se cumprirem nos prazos previstos — 2027 para os primeiros aparelhos, segundo Kiev, ou 2029-2030 segundo o calendário mais conservador da Saab — a Ucrânia terá na sua frota um dos caças mais versáteis e resilientes do mundo, capaz de operar a partir de qualquer estrada nacional, esconder-se em florestas e levantar voo minutos depois de uma coluna logística a reabastecer. Numa guerra de atrito onde a infraestrutura aeroportuária é um alvo permanente, esta capacidade não é um luxo — é uma necessidade.

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