Peça de titânio impressa em 3D a flutuar num tanque de água
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Titânio impresso em 3D fica à tona mesmo depois de danificado

Uma equipa da RMIT University criou uma estrutura de titânio impressa em 3D que consegue flutuar na água mesmo depois de sofrer fissuras, fracturas e danos importantes. O material combina uma treliça metálica aberta com espuma de poliuretano no interior dos seus elementos ocos.

O resultado pode interessar à construção de boias, sensores flutuantes e outras estruturas marítimas que precisem de ser leves, resistentes e capazes de continuar à superfície depois de um acidente.

Duas secções de treliças metálicas impressas em 3D junto a um tanque de água

Secções de treliças metálicas impressas em 3D usadas no estudo da flutuabilidade. A imagem mostra a geometria aberta da estrutura, não uma peça marítima pronta para utilização. Crédito: Sara Tan/RMIT.

O problema não era apenas o peso

As treliças metálicas impressas em 3D podem ser muito leves. O problema é que têm uma estrutura aberta: quando entram na água, os espaços interiores podem encher-se, anulando a vantagem da baixa densidade e fazendo a peça afundar.

A solução da equipa foi preencher apenas o interior dos elementos ocos com espuma de poliuretano. A água continua a poder passar pela estrutura exterior, mas encontra células fechadas no interior que dificultam a entrada no caminho que garante a flutuabilidade.

Os investigadores propõem também uma nova forma de calcular a densidade da estrutura. Em vez de contar todo o espaço aberto como se estivesse vazio, a chamada densidade esquelética considera as paredes de titânio e os canais preenchidos que efectivamente impedem a entrada de água.

Uma boia resistiu num tanque de água do mar

Nos ensaios, a estrutura de titânio e espuma foi comparada com materiais usados em aplicações marítimas, como aço inoxidável e polietileno de alta densidade. À mesma densidade global, o protótipo apresentou uma resistência 70% superior, segundo a RMIT.

A exposição a água do mar natural também foi curta, mas concreta: depois de duas semanas no estuário de Port Phillip Bay, a treliça perdeu 0,15% da massa e a resistência caiu menos de 1%. A estrutura manteve a flutuabilidade depois de fissuras, falhas de ligações e da fractura de uma camada inteira.

Peça de treliça de titânio impressa em 3D segurada pelas mãos de um investigador

Peça de treliça de titânio impressa em 3D usada no desenvolvimento do material híbrido. A aplicação marítima foi demonstrada separadamente com uma boia impressa. Crédito: Sara Tan/RMIT.

Não é ainda uma nova geração de boias

O resultado mostra uma arquitectura promissora, mas não significa que já exista uma solução pronta para instalar no oceano. Os próprios investigadores apontam como próximos passos o aumento de escala e os testes de longa duração em condições marítimas e de profundidade mais realistas.

O que foi demonstrado é um protótipo de treliça de titânio e espuma que manteve a flutuabilidade em ensaios controlados. Ainda não foi demonstrada uma produção industrial, uma utilização em mar aberto durante longos períodos ou uma aplicação comercial.

Por agora, a demonstração resolve um problema específico de engenharia: como manter à tona uma estrutura metálica aberta, mesmo quando a água passa por ela e mesmo depois de parte da estrutura ficar danificada.

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