Dois investigadores apresentam um esquema químico sobre lignina Kraft e a molécula SEMILL-A
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Ondas sonoras transformam lignina numa molécula com potencial para baterias

Uma equipa da Universidade de Illinois encontrou uma forma rápida de decompor lignina Kraft usando microgotas de água agitadas por ondas sonoras. Em cerca de 20 minutos e à temperatura ambiente, o processo transformou parte deste subproduto da indústria do papel numa molécula redox-activa que os investigadores baptizaram de SEMILL-A.

A lignina dá rigidez às plantas e separa-se da celulose durante o fabrico de papel. Segundo a universidade, mais de 50 milhões de toneladas de lignina Kraft são geradas todos os anos e mais de 90% acabam por ser queimadas no próprio local para recuperar químicos do processo e produzir energia. A investigação procura dar a este material um destino químico de maior valor.

Investigadores junto a uma apresentação sobre lignina Kraft, sonicação e SEMILL-A

Investigadores apresentam um esquema sobre lignina Kraft, sonicação e SEMILL-A. A imagem documenta investigação académica e não mostra uma bateria ou um produto comercial. Crédito: Universidade de Illinois Urbana-Champaign.

A reacção acontece em pequenas gotas

O método usa óleo, água, lignina e ácido num recipiente pequeno. A sonicação agita a mistura com ondas sonoras de alta frequência e cria microgotas de água — muito menores do que gotas de chuva — onde a química de decomposição pode avançar sem altas temperaturas nem catalisadores de terras raras adicionados.

O artigo publicado na revista Small descreve a conversão de cerca de metade do polímero complexo numa molécula mais pequena. A universidade reporta uma conversão de aproximadamente 56%, com os detalhes técnicos a indicarem resultados entre cerca de 49% e 64% em diferentes lotes experimentais.

SEMILL-A é interessante para energia, mas não é uma bateria

A SEMILL-A é redox-activa: pode aceitar e doar electrões. Essa propriedade torna-a interessante para investigar materiais de armazenamento de energia, incluindo baterias de fluxo redox. A equipa confirmou a molécula com microscopia, espectroscopia, ressonância magnética nuclear, espectrometria de massa, cromatografia e análise electroquímica.

Mas a propriedade química não equivale a uma bateria funcional. Os investigadores ainda estão a tentar perceber como se forma a molécula, como controlar melhor a reacção e se será possível produzir compostos úteis noutras aplicações. O próprio responsável pelo laboratório admite que ainda não se sabe se a SEMILL-A chegará a ser usada numa bateria.

Do laboratório para uma possível aplicação

O interesse imediato está em transformar um resíduo abundante num composto definido e potencialmente útil. O processo também poderá ajudar a estudar outras formas de decompor biomassa e plásticos, mas essa extensão ainda pertence ao trabalho futuro da equipa.

O resultado demonstrado é uma reacção laboratorial e uma molécula com propriedades redox. Ainda não foi demonstrada uma bateria, produção industrial, viabilidade económica ou uma replicação independente do processo.

A descoberta não transforma automaticamente papel usado em electricidade. Mostra antes uma possível rota química para aproveitar melhor a lignina: em vez de a tratar apenas como combustível ou resíduo do fabrico de papel, os investigadores estão a tentar convertê-la numa matéria-prima para novas moléculas.

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