Técnicos trabalham na cablagem e nos componentes internos de um veículo espacial numa sala limpa de integração
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O Dragonfly já leva 5,3 quilómetros de cabos — mas ainda só está a preparar a viagem a Titã

O Dragonfly, o rotorcraft que a NASA está a preparar para explorar a lua Titã, já tem instalada a sua cablagem de voo: cerca de 17 315 pés de fio condutor, aproximadamente 5,3 quilómetros, ligados por 374 conectores. O conjunto pesa cerca de 100 libras, ou 45 quilogramas, e funciona como a rede que leva energia e dados a praticamente todos os sistemas do veículo.

A NASA diz que a equipa do Johns Hopkins Applied Physics Laboratory instalou a cablagem no fuselagem de voo em Julho. A actualização publicada em Setembro mostra, por isso, um marco de integração de hardware — não um veículo já lançado nem uma missão em operação em Titã.

Técnicos trabalham na instalação e inspecção de cablagem num veículo espacial durante a integração em sala limpa

Técnicos trabalham na cablagem do veículo durante a fase de montagem e integração numa sala limpa. A imagem representa preparação pré-lançamento, não uma operação em Titã. Crédito: NASA/Johns Hopkins APL/Ed Whitman.

Uma rede de energia, dados e sensores

A cablagem liga os computadores, actuadores, sensores, instrumentos científicos e bateria do Dragonfly. Não é apenas um conjunto de fios para transportar electricidade: tem de distribuir energia e sinais de dados por uma estrutura compacta, mantendo flexibilidade suficiente para passar entre caixas de instrumentos e outros componentes.

O fio é feito de cobre revestido a prata, com isolamento de polímero resistente ao calor e uma camada de alumínio. A NASA refere a utilização de condutores de calibre 4 e 8, necessários para as exigências de potência do rotorcraft. O desenho tem ainda de caber por baixo da espuma que ajuda a conservar o calor no interior do veículo, num ambiente onde a temperatura de Titã será um dos principais desafios.

O Dragonfly ainda está na Terra

A equipa continua a ligar a cablagem aos instrumentos científicos e a outros componentes à medida que estes chegam ao laboratório. Seguem-se mais integração e testes antes da partida: a NASA aponta para um lançamento no Verão de 2028 e uma chegada a Titã no fim de 2034, depois de uma viagem de cerca de seis anos e meio.

Quando chegar ao destino, o veículo deverá usar oito rotores para voar entre vários locais da superfície. Titã tem uma atmosfera densa e gravidade baixa, condições que permitem uma abordagem semelhante à de um drone, mas a missão terá de executar autonomamente muitas operações devido à distância entre Saturno e a Terra.

Uma missão ambiciosa e com um calendário longo

O relatório do inspector-geral da NASA confirma que Dragonfly continua a ser uma missão em desenvolvimento. O documento fixa uma linha de base de 3,35 mil milhões de dólares e um lançamento em Julho de 2028, depois de vários replaneamentos que empurraram o calendário original por mais de dois anos.

Os 5,3 quilómetros de cablagem são um marco de construção e integração. Não significam que o Dragonfly esteja pronto para voar, que já tenha chegado a Titã ou que tenha começado a recolher dados científicos.

É uma parte pouco visível da missão, mas essencial: sem esta rede de condutores e conectores, a bateria, os computadores, os sensores e os instrumentos não conseguem trabalhar em conjunto. Antes de vermos o primeiro voo numa lua de Saturno, há ainda uma longa viagem de testes dentro de uma sala limpa na Terra.

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