Ilustração editorial de um veículo autónomo numa cidade europeia enquanto estruturas organizacionais são simplificadas
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Uber reduz 10% da equipa enquanto expande os robotáxis

A Uber anunciou uma redução de cerca de 10% da sua equipa global, o equivalente a aproximadamente 3.300 postos de trabalho segundo a Reuters. A empresa diz que está a remover camadas de gestão, a simplificar estruturas e a concentrar pessoas e investimento nas oportunidades que considera mais importantes.

A decisão foi comunicada pelo CEO Dara Khosrowshahi numa mensagem dirigida aos trabalhadores. A Uber afirma que todas as pessoas afectadas já foram notificadas, excepto nos países onde é necessário cumprir procedimentos locais.

Ilustração editorial de um veículo autónomo a circular numa cidade europeia com uma rede organizacional simplificada

Ilustração editorial original sobre a reestruturação da Uber e a expansão da mobilidade autónoma. A imagem é conceptual e não representa uma operação real em nenhuma cidade.

Cortes na estrutura corporativa

A Uber tinha aproximadamente 34 mil empregados no final de 2025, segundo o seu relatório anual. A estimativa de 3.300 cortes é, por isso, compatível com a redução de cerca de 10% comunicada pela empresa, mas o número exacto não foi divulgado pela Uber no memorando.

A reorganização prevê uma redução de 20% no número de pessoas posicionadas sete ou mais níveis abaixo do CEO e quase metade dos chamados micro-teams — grupos com apenas um ou dois subordinados directos. A empresa está também a consolidar operações de entrega e a juntar algumas funções de engenharia e ciência.

Estes números dizem respeito à equipa da Uber. O relatório anual trata separadamente os motoristas, estafetas e outros prestadores que utilizam a plataforma, pelo que não devem ser incluídos automaticamente na contagem dos cortes anunciados.

A ligação aos robotáxis é real, mas não é uma explicação oficial

A Uber afirma que as poupanças serão reinvestidas em crescimento, inovação e no seu futuro autónomo. A mensagem não diz que a inteligência artificial foi a causa dos despedimentos, nem apresenta os robotáxis como uma substituição imediata da equipa afectada.

O contexto europeu, contudo, mudou rapidamente. Em Agosto, a Uber começou a permitir a reserva de viagens autónomas em Zagreb, na Croácia, usando tecnologia da Pony.ai e operação da Verne. O serviço ainda tinha um operador humano a bordo, como parte de uma introdução faseada.

Poucos dias antes, a Uber e a Pony.ai tinham anunciado planos para colaborar na implementação de mais de 2.000 robotáxis na Europa, com Zagreb como primeiro mercado e quatro cidades adicionais previstas. A expansão é uma prioridade estratégica, mas não prova que os cortes tenham sido feitos especificamente para financiar essa área.

O que isto pode significar para Portugal

A Uber não publicou uma repartição dos cortes por país. Até existir essa informação, não é correcto afirmar que trabalhadores ou operações em Portugal foram afectados.

O efeito português fica, por enquanto, como pergunta de acompanhamento: saber se existem equipas locais abrangidas, como a reorganização afecta a operação europeia e se a expansão dos veículos autónomos altera o papel dos motoristas e parceiros da plataforma. A própria Uber diz esperar que veículos autónomos e motoristas humanos coexistam durante o futuro previsível.

A notícia não é apenas sobre 3.300 empregos. É sobre uma empresa que cresceu até ganhar complexidade suficiente para reduzir a sua própria hierarquia, ao mesmo tempo que tenta preparar-se para uma mobilidade em que o veículo pode deixar de ter uma pessoa ao volante. O primeiro efeito é imediato nos escritórios; o segundo ainda está a ser testado nas ruas europeias.

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