Os sistemas industriais registaram menos detecções gerais de malware no segundo trimestre de 2026, mas o ransomware seguiu uma trajectória diferente. A redução do volume global de ameaças não significa que o risco de paragem ou sabotagem tenha desaparecido.
Ilustração editorial original do Portugal Binário sobre o risco de ransomware em sistemas de controlo industrial; os valores do relatório são apresentados no texto e nos gráficos seguintes.
Segundo o relatório da Kaspersky ICS CERT, a percentagem de computadores de sistemas de controlo industrial onde foram bloqueados objectos maliciosos caiu para 19,15%. É o valor mais baixo desde 2022.
No ransomware, porém, a percentagem subiu para 0,16% dos computadores ICS observados. O valor aumentou na maioria das regiões, mas não na Europa Ocidental e Meridional nem no Canadá.
O que estes números medem — e o que não medem
Os indicadores são detecções bloqueadas por soluções de segurança da Kaspersky. Não representam todos os sistemas industriais do mundo e não significam que 0,16% das organizações tenham sido efectivamente sequestradas.
As métricas da Kaspersky referem-se a computadores ICS onde as suas soluções bloquearam actividade maliciosa. Infográfico original com dados do relatório Q2 2026.
Ainda assim, a tendência é relevante. A Kaspersky diz ter bloqueado malware pertencente a 10.904 famílias diferentes em sistemas de automação industrial durante o trimestre. O ransomware representa uma fracção pequena, mas é uma das categorias com maior potencial de interromper operações.
Quando o ataque sai do ecrã
Um sistema ICS não gere apenas contas, documentos ou correio electrónico. Pode controlar motores, válvulas, linhas de produção, redes eléctricas, tratamento de água e transportes. Uma intrusão pode afectar disponibilidade, segurança operacional e o funcionamento de equipamentos físicos.
Num ambiente industrial, a intrusão digital pode ter consequências no processo físico. Diagrama conceptual original do Portugal Binário.
Num relatório separado, a Kaspersky ICS CERT identificou 163 incidentes industriais publicamente confirmados no trimestre e registou um aumento de relatos sobre ataques com intenção de provocar danos físicos em sistemas de controlo.
Não há nestes dados uma estatística específica sobre Portugal. A conclusão segura é mais geral: menos malware detectado não equivale a menos risco operacional, sobretudo quando o ransomware continua a ganhar peso dentro das ameaças dirigidas a ambientes industriais.
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