Antena parabólica no Teleporto de Santa Maria, Açores, com paisagem verdejante ao fundo
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Thales Portugal quer ligar antena de Santa Maria (Açores) à Lua — Portugal entra nas comunicações lunares

No Monte das Flores, na ilha açoriana de Santa Maria, há uma antena de 15 metros de diâmetro que já apoiou lançamentos de foguetões, monitorizou derrames de petróleo no Mar do Norte e recebeu sinais da constelação Galileo. Mas o próximo passo é mais ambicioso: comunicar com a Lua.

A Thales Portugal, que opera o Teleporto de Santa Maria, anunciou que está em negociações com uma rede privada de médio e profundo espaço para colocar a sua antena de 15 metros (SMA-2) ao serviço do projeto Moon Gateway, a estação orbital lunar da NASA. «O nosso objetivo é colocar Portugal e esta antena a comunicar com a Lua», afirmou Miguel Boavida, head of Space & Ground Segments da Thales Portugal, em declarações ao ECO.

A antena de 15 metros (SMA-2) foi comprada à ESA por um euro e transferida de Perth, Austrália, para Santa Maria — uma viagem de milhares de quilómetros peça por peça

Uma antena comprada por um euro

A história da SMA-2 começa em Perth, na Austrália, onde a antena fazia o rastreamento de lançadores para a ESA. Em 2016, a Agência Espacial Europeia abriu uma nova estação de deep space na Austrália com antenas de 35 metros, e a antena de 15 metros ficou disponível. A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) comprou-a à ESA por... um euro.

O que se seguiu foi um trabalho de logística e engenharia que durou anos. A antena foi desmantelada na Austrália, colocada em contentores, enviada para a Terceira (Açores) onde foi decapada e tratada com tintas especiais para resistir ao ambiente salino da ilha, e finalmente montada peça por peça em Santa Maria — «um autêntico puzzle de centenas de peças», descreve Miguel Boavida. A montagem exigiu uma grua de grandes dimensões que veio do Continente e quase afundou o barco no regresso.

Dos lançamentos da ESA à Lua

O Teleporto de Santa Maria nasceu em 2006-2007 com uma antena de 5,5 metros para rastrear lançamentos do Ariane a partir de Kourou, na Guiana Francesa. Desde então, cresceu e hoje serve 15 clientes — entre a ESA, a Agência Europeia de Vigilância Marítima (EMSA), a constelação Galileo e operadores privados de New Space.

A posição geográfica de Santa Maria é um trunfo: é a ilha mais a sul dos Açores, com visibilidade praticamente sem obstruções — ideal para rastreamento de lançamentos e comunicações espaciais. A estação é também a primeira a «agarrar» a telemetria dos foguetões Ariane 6 depois do lançamento da Guiana Francesa, e já apoiou o lançamento de 32 satélites da Amazon Kuiper (Projecto LEO) de Jeff Bezos.

«Santa Maria é uma estação 'go no go'. Se tivermos uma avaria, não há lançamento na Guiana Francesa. A estação tem que estar verde.» — Vera Carvalho, gestora do Teleporto de Santa Maria, Thales Portugal

Miguel Boavida (head of Space & Ground Segments, Thales Portugal) junto da antena de 15 metros. A empresa quer obter qualificação ESA para a antena

Portugal no mapa das comunicações lunares

As negociações em curso visam integrar a antena SMA-2 numa rede privada de médio e profundo espaço para transmitir e receber dados da Gateway lunar. Embora a NASA tenha recentemente reestruturado o projeto Gateway para se concentrar numa base na superfície da Lua, a Thales não se preocupa: «se é em órbita ou se é na Lua, para nós é indiferente — o nosso objetivo é colocar esta antena a dar comunicações para a Lua», diz Miguel Boavida.

Além do projeto lunar, a Thales planeia obter qualificação ESA para a antena e prepara-se também para apoiar o Space Rider, o veículo orbital reutilizável europeu cujo voo inaugural está previsto para 2028, com reentrada e aterragem ao largo da ilha de Santa Maria — um projeto que envolve a Agência Espacial Portuguesa e que promete transformar os Açores num hub espacial multipropósito.

Feito por humanos — Portugal Binário

Fonte: The Portugal News · ECO · 17 JUN 2026

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