Escritório vazio e escuro — ambiente corporativo após despedimentos massivos
🧠 IA

Quase 30 mil despedidos na tech este mês — e os CEOs culpam a IA

O mês de maio de 2026 está a caminho de se tornar um dos mais negros da história recente da tecnologia: quase 30 mil trabalhadores foram despedidos só este mês, segundo dados compilados por trackers especializados. O que antes era uma vaga pontual tornou-se uma tendência estrutural, com os CEOs das maiores empresas a admitirem abertamente que a inteligência artificial generativa está a substituir postos de trabalho que até há dois anos eram considerados seguros. Os números são demolidores: de acordo com um inquérito global da consultora Oliver Wyman divulgado esta semana, 43 por cento dos CEOs planeiam reduzir as suas equipas juniores nos próximos dois anos — um salto colossal face aos 17 por cento registados no ano passado.

Ao mesmo tempo, 30 por cento dos inquiridos afirmaram estar a desviar as suas contratações para perfis mais seniores, contra apenas 10 por cento em 2025. A conclusão do relatório é direta: a mudança é impulsionada pela IA. O presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, já tinha admitido em declarações anteriores que a IA "provavelmente é um fator" nas taxas de desemprego preocupantes entre os jovens dos 22 aos 27 anos. O mercado de trabalho para este grupo etário, segundo a Fed de Nova Iorque, "deteriorou-se notoriamente" no primeiro trimestre de 2026, atingindo o nível mais baixo desde os piores dias da pandemia. As empresas que tradicionalmente contratavam recém-licenciados estão agora a usar assistentes de IA para automatizar o trabalho de entrada.

Gráfico descendente — indicadores económicos e desemprego jovem no setor tecnológico

O mercado de trabalho para jovens dos 22 aos 27 anos atingiu o nível mais baixo desde os piores dias da pandemia, segundo dados da Reserva Federal de Nova Iorque.

CEOs investem na IA mas não veem retorno

O paradoxo é que este ciclo de despedimentos não está a ser compensado por ganhos de produtividade reais. Apenas 27 por cento dos CEOs inquiridos disseram que o retorno do investimento em IA correspondeu ou superou as expectativas — uma descida significativa face aos 38 por cento do ano anterior. Quase um quarto dos executivos afirmou não ter visto qualquer impacto nas receitas. O relatório descreve esta situação não como "uma crise de confiança", mas como "o reconhecimento de que redesenhar o trabalho à escala é mais lento e mais difícil do que o entusiasmo inicial sugeria". Os setores mais atingidos são o tecnológico, o mediático e o das telecomunicações, com as empresas de SaaS e plataformas cloud a liderarem os cortes — a Oracle, por exemplo, anunciou recentemente que vai reduzir as suas equipas de produto precisamente por causa da IA.

O cenário é particularmente preocupante para os jovens à procura do primeiro emprego. O relatório alerta que esta tendência pode ser "potencialmente catastrófica" não apenas para os trabalhadores jovens, mas para o futuro da própria força de trabalho — se as empresas continuam a cortar nos escalões de entrada para reduzir custos, estarão simultaneamente a estrangular o seu próprio pipeline de talento para a próxima década. Curiosamente, o estudo revela também que uma minoria de CEOs — os que estão a ver retorno real dos investimentos em IA — estão a contratar mais juniores do que a média. O relatório descreve este grupo como "uma minoria contrária que vê a tecnologia a aumentar o valor do talento de entrada, em vez de o substituir".

Pessoas em ambiente de escritório moderno — trabalhadores do setor tecnológico

74% dos CEOs estão a congelar ou reduzir o número de funcionários, contra 67% no ano anterior. Os setores mais agressivos nos cortes são o tecnológico, o mediático e as telecomunicações.

Onde é que isto vai parar?

A questão central é se esta minoria contrária de CEOs representa o futuro ou apenas uma exceção estatística. O relatório da Oliver Wyman sublinha que "a redução de efetivos que ultrapassa a implementação significativa de IA pode deixar as organizações expostas, e a dependência excessiva de sistemas que ainda estão a amadurecer introduz as suas próprias vulnerabilidades". Mais de metade dos inquiridos disse que ainda é demasiado cedo para avaliar se a implementação de IA está realmente a produzir os ganhos de produtividade prometidos. Os próximos meses dirão se a tecnologia está realmente a criar um novo modelo operacional, mais magro e mais automatizado, ou se as empresas estão a cortar músculo enquanto confundem com gordura. Enquanto isso, quase 30 mil profissionais de tecnologia receberam o aviso de despedimento este mês — e muitos deles têm menos de 27 anos.

Fonte: Gizmodo · Oliver Wyman · PennLive · 21 de maio de 2026 · 22 MAY 2026

💬 Comentários

Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!