A EDP deu o passo seguinte para construir o maior sistema de baterias de sempre em Portugal. O projeto chama-se BigBatt e vai ocupar os terrenos da antiga central termoelétrica a fuelóleo do Carregado, no concelho do Alenquer, onde durante décadas se queimou crude para produzir eletricidade. Agora, o mesmo espaço vai servir para armazenar energia limpa.
A elétrica iniciou o licenciamento ambiental do projeto, que prevê uma bateria de 180 megawatts (MW) de potência e 360 megawatts-hora (MWh) de capacidade de armazenamento — o suficiente para abastecer dezenas de milhares de casas durante várias horas nos períodos de pico de consumo.
Do fuelóleo às baterias
O BigBatt será instalado junto à Central de Ciclo Combinado do Ribatejo (CCGT), que continua em operação a gás natural. A localização estratégica permite aproveitar as infraestruturas elétricas já existentes para ligar as baterias à rede, reduzindo custos e acelerando o cronograma.
A diferença para o passado não podia ser maior: onde antes se queimava fuelóleo — um dos combustíveis fósseis mais poluentes — para gerar eletricidade, vai passar a armazenar-se o excedente de produção renovável para ser devolvido à rede quando o sol não brilha ou o vento não sopra.
Segundo a ficha oficial do projeto, o BigBatt está dimensionado para armazenar e devolver mais de 3.000 terajoules (TJ) de eletricidade renovável ao longo de dez anos, evitando a emissão de cerca de 500.000 toneladas de CO₂ durante todo o seu ciclo de vida.
Capacidade superior à anunciada
O projeto original, apresentado em 2024 quando a EDP garantiu financiamento do EU Innovation Fund, previa 150 MW de potência. O Expresso revelou que a capacidade atual é superior à anunciada há dois anos, tendo crescido para os 180 MW, o que mostra a ambição crescente da elétrica no armazenamento de energia.
O BigBatt foi o único projeto português selecionado na edição de 2024 do Innovation Fund da Comissão Europeia, e a única iniciativa de armazenamento aprovada na categoria de média e grande escala. Além deste, a EDP já tinha integrado projetos como o GreenH2Atlantic (Portugal) e o Asturias H2 Valley (Espanha) em edições anteriores do fundo.
Um dos maiores da Europa
Com 180 MW de potência e 360 MWh de capacidade, o BigBatt será um dos maiores sistemas de baterias (BESS) da Europa integrados com uma central de ciclo combinado para ligação à rede. O sistema vai usar tecnologia de iões de lítio de última geração, fornecida por líderes de mercado, e terá uma autonomia de pelo menos duas horas à potência nominal.
O funcionamento é simples: durante os períodos de baixo consumo (madrugada, fins de semana), quando a produção renovável excede a procura, as baterias carregam. Depois, nos picos de consumo, a energia armazenada é devolvida à rede, reduzindo a necessidade de recorrer a centrais a gás natural. O resultado é uma dupla vantagem: otimização da produção renovável e estabilidade da rede elétrica.
Armazenamento: o calcanhar de Aquiles das renováveis
Portugal está a acelerar a sua Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia, que prevê dois leilões para baterias já em setembro de 2026, com uma meta de 750 MVA em novas capacidades. O país fechou o primeiro semestre de 2026 com um consumo recorde de eletricidade (27.200 GWh, +3,5%), e a produção solar atingiu o máximo histórico de 3.800 MW em junho.
O BigBatt junta-se a outros projetos de armazenamento em Portugal, como o sistema de 24 MWh já em operação desde junho de 2025 (o primeiro grande projeto autónomo 'merchant' do país) e a solução de 12 MWh da Bondalti em Estarreja, também desenvolvida pela EDP.
Com o licenciamento ambiental agora em curso, a EDP espera avançar para a construção nos próximos meses, contribuindo para a meta do grupo de atingir mais de 500 MW de capacidade de armazenamento em todo o mundo, conforme definido no seu Plano de Negócios.
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