Dois satélites da missão TRACERS, da NASA, ajudaram investigadores a estudar como a influência do Sol chega ao ambiente magnético da Terra. Os dados apontam para uma explicação preliminar sobre a forma como varia um processo chamado reconexão magnética, na fronteira entre o vento solar e o campo magnético terrestre.
A análise sugere que, nas observações estudadas, as diferenças associadas à posição do fenómeno tiveram maior peso do que as suas variações ao longo do tempo. Os autores sublinham que são necessárias mais medições para confirmar o resultado; isso não significa que o processo deixe de variar com o tempo.
Como o Sol se liga ao ambiente terrestre
O Sol liberta continuamente um fluxo de partículas carregadas, chamado vento solar. À sua volta, a Terra tem uma região dominada pelo seu campo magnético — a magnetosfera — que ajuda a protegê-la desse fluxo.
Na fronteira entre os dois ambientes, campos magnéticos podem reorganizar-se num processo de reconexão. Isso permite transferir energia e partículas para o ambiente terrestre. Compreender essa ligação ajuda a investigar o clima espacial, que pode afetar satélites, comunicações e redes elétricas.
Dois satélites, passagens sucessivas
As duas sondas TRACERS orbitam perto da Terra e passam uma a seguir à outra por regiões junto aos polos magnéticos onde se concentram partículas vindas do espaço. Comparar as medições dessas passagens ajuda a distinguir diferenças ligadas ao local de observação de mudanças que acontecem com o tempo.
No estudo agora publicado, os investigadores analisaram passagens conjuntas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. O resumo dos autores indica que a variação espacial predominou nas condições analisadas, embora a maioria dos casos classificados como espaciais também apresentasse alguma variação temporal.
Uma missão que continua a recolher dados
Os satélites foram lançados em 2025. Depois de uma dificuldade de comunicação com um deles, a equipa restabeleceu o contacto e iniciou a recolha científica com as duas sondas. Segundo a NASA, a missão foi prolongada para continuar a estudar estes fenómenos até à primavera de 2027.
As próximas passagens permitirão testar se o padrão inicial se mantém numa amostra mais ampla. Por agora, a conclusão é uma pista sobre a ligação entre o Sol e a Terra, não uma descrição definitiva de todos os eventos de reconexão.
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