A inteligência artificial está a mudar o mundo a um ritmo alucinante, mas é na área da saúde que as promessas se estão a tornar realidade de forma mais concreta. Um novo sistema, desenvolvido por uma parceria entre a Universidade de Coimbra e o King's College London, está a ajudar os médicos portugueses a diagnosticar doenças respiratórias com uma precisão que até há pouco tempo parecia impossível de alcançar por uma máquina.
O sistema analisa radiografias e TACs aos pulmões em segundos e identifica padrões que o olho humano muitas vezes não consegue detetar, como micro-nódulos cancerígenos em estádio inicial ou opacidades sugestivas de tuberculose. Nos testes realizados em cinco hospitais portugueses — incluindo o Hospital de São João, no Porto, e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa —, a IA acertou no diagnóstico em 98 por cento dos casos, contra uma média de 85 por cento dos radiologistas.
A IA está a revolucionar os diagnósticos em Portugal.
Menos tempo de espera, mais vidas salvas
O impacto prático é enorme. Um doente que chega às urgências com suspeita de pneumonia pode agora ter um diagnóstico em menos de 30 segundos, em vez das habituais horas de espera por um radiologista. Nos hospitais onde o sistema foi testado, o tempo médio de diagnóstico caiu de 4 horas para 12 minutos, um ganho que pode fazer a diferença entre a vida e a morte em casos de sépsis ou infeções respiratórias graves.
Adoção de IA nos hospitais portugueses: crescimento 2024-2026.
Nos primeiros seis meses de operação, o sistema analisou mais de 50 mil exames, detetando 300 casos de cancro do pulmão em estádio inicial que tinham passado despercebidos na primeira análise clínica. A taxa de falsos positivos é de apenas 2 por cento, o que significa que os médicos podem confiar no sistema sem receio de alarmes falsos em excesso que só trariam stress desnecessário aos doentes.
Claro que há desafios pela frente. A integração da IA nos fluxos de trabalho hospitalares não é trivial — há questões de privacidade dos dados, necessidade de certificação pelas entidades reguladoras e a resistência natural de alguns profissionais que veem a tecnologia como uma ameaça. Mas a verdade é que a IA não veio substituir os médicos, veio dar-lhes superpoderes. E para os doentes, isso significa diagnósticos mais rápidos, mais precisos e, acima de tudo, mais vidas salvas.
O modelo de IA, desenvolvido em parceria com o Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, foi treinado com mais de 2 milhões de exames médicos anonimizados. A precisão dos diagnósticos atinge 94.7 por cento na deteção precoce de cancro do pulmão em TACs de baixa dosagem, superando os 88.2 por cento dos radiologistas humanos no mesmo estudo.
O modelo de IA, desenvolvido com arquitetura Vision Transformer otimizada, processa cada exame em apenas 1.8 segundos com uma sensibilidade de 96.3% e especificidade de 97.8%, tendo sido validado com 2.1 milhões de radiografias e TACs anonimizadas de 14 hospitais europeus antes da implementação em Portugal.
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