Aldeia portuguesa — Boco, uma das milhares de freguesias do interior de Portugal que representa o desafio da interioridade e do acesso a serviços bancários
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Governo quer caixas Multibanco nas mais de 1.000 freguesias que ainda não têm

Mais de mil freguesias em Portugal não têm uma única caixa Multibanco onde os seus habitantes possam levantar dinheiro. O ministro da Economia, Castro Almeida, anunciou esta quinta-feira no parlamento, em Lisboa, que o Governo vai criar condições para que todas as freguesias do país tenham acesso a uma caixa automática de levantamento, num projeto que envolve a SIBS e o Banco de Portugal e que começa a ser implementado já em junho em algumas localidades.

"Há mais de 1.000 freguesias que não têm caixas Multibanco, não têm forma de aceder a dinheiro. Dar condições é criar, com a SIBS e com o Banco de Portugal, capacidade para que em cada freguesia as pessoas possam levantar dinheiro", disse Castro Almeida durante um debate na Assembleia da República, citado pelo SAPO. O governante classificou a iniciativa como uma "questão de elementar justiça" para os territórios com menos população, sublinhando que quem vive nessas zonas também deve ter acesso a dinheiro vivo.

Caixa Multibanco do BPI — um dos terminais da rede SIBS que o Governo quer levar a todas as freguesias do país

A rede SIBS Multibanco é uma das marcas mais icónicas de Portugal — o Governo quer garantir que chega às mais de 1.000 freguesias que atualmente não têm qualquer terminal de levantamento.

Uma moção aprovada em janeiro

A falta de multibancos tem sido uma preocupação regularmente levantada pela Associação Nacional de Freguesias (ANFRE), que levou o tema ao congresso da associação em janeiro deste ano, onde foi aprovada uma moção a pedir atenção para este problema. Em muitas freguesias do interior, os habitantes são obrigados a percorrer dezenas de quilómetros para aceder a uma caixa automática — uma realidade que se agravou nos últimos anos com o encerramento de balcões bancários em centenas de localidades, num processo que o Banco de Portugal tem vindo a acompanhar e que levou já à publicação de relatórios sobre a exclusão financeira em Portugal.

A progressiva desertificação bancária do interior do país não é um fenómeno novo, mas tem vindo a acelerar. Dados do Banco de Portugal indicam que, desde 2015, mais de metade dos balcões bancários em funcionamento em 2010 já fecharam em centenas de concelhos do interior. A ausência de multibancos nestas localidades obriga a população mais idosa — que representa a maioria dos residentes nestes territórios — a deslocações longas e muitas vezes complicadas, num país onde o envelhecimento populacional é mais acentuado precisamente nas regiões onde o acesso a serviços bancários é mais escasso.

Mapa de Portugal com os 18 distritos continentais identificados — os distritos do interior (guarda, bragança, vila real, castelo branco, portalegre, évora, beja) são os mais afetados pela falta de caixas Multibanco

Mais de 1.000 freguesias sem Multibanco concentram-se nos distritos do interior — Guarda, Bragança, Vila Real, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja são os mais afectados pela exclusão financeira.

O ministro não detalhou o modelo de implementação nem o calendário completo, mas adiantou que "em algumas freguesias o projeto avança já em junho" e que a intenção é estender a medida a todas as freguesias sem caixas automáticas. O envolvimento da SIBS — a empresa que gere a rede Multibanco — e do Banco de Portugal sugere que a solução passará por uma articulação entre o setor público e o sistema financeiro, possivelmente com financiamento ou incentivos do Estado para a instalação de terminais em zonas consideradas não rentáveis pela banca comercial. Resta saber se o calendário anunciado será suficiente para responder a uma necessidade que, para muitos portugueses, é uma questão de cidadania tanto quanto de conveniência.

Fonte: SAPO · Notícias do Sorraia · 22 de maio de 2026 · 22 MAI 2026

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