A Google tem algumas práticas muito focadas em publicidade, o que preocupa muitos utilizadores. Uma nova situação reforça este cenário: do que foi reportado, os utilizadores do Android Auto estão a encontrar anúncios pop-up no Google Maps durante a navegação, e a polémica está ao rubro nas comunidades de tecnologia e segurança rodoviária.
Os relatos, que começaram a surgir no final da semana passada, descrevem anúncios que surgem inesperadamente enquanto o veículo está em movimento, ocupando cerca de metade do ecrã de navegação e sugerindo desvios para estabelecimentos patrocinados, como postos de combustível e restaurantes fast-food. Os utilizadores descrevem a experiência como intrusiva e potencialmente perigosa, uma vez que fechar o anúncio obriga a interagir com o ecrã durante a condução.
Os anúncios ocupam metade do ecrã durante a navegação.
Uma distração perigosa ao volante?
As comunidades online têm sido o palco principal do debate. Muitos utilizadores questionam a legalidade da prática, especialmente à luz das leis de segurança rodoviária que proíbem o uso do telemóvel durante a condução. Um ecrã tátil com anúncios pop-up não será muito diferente de estar a usar o telemóvel ao volante, e as associações de defesa dos condutores já pediram uma posição da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
Os anúncios pop-up ocupam metade do ecrã e obrigam a interação durante a condução.
A Google ainda não se pronunciou oficialmente sobre a situação. Não se sabe se se trata de um teste limitado a determinados mercados, como os Estados Unidos e o Reino Unido, ou de uma funcionalidade que vai ser generalizada a nível global. A mesma empresa já tinha experimentado formatos publicitários no Waze, que também pertence ao grupo, mas nunca com este nível de intrusão durante a condução.
Para já, os utilizadores que se depararem com os anúncios podem reportar a situação através dos canais oficiais da Google ou desativar temporariamente as sugestões de lugares no Google Maps. Mas a verdade é que, enquanto não houver uma posição clara da empresa, a polémica vai continuar a crescer. E quem conduz, que se desenrasque com mais esta distração no ecrã.
Os anúncios surgem integrados no layer de navegação do Google Maps, sobrepondo-se ao mapa principal e ocupando aproximadamente 40 por cento do ecrã. Para os dismiss, o condutor tem de tocar num botão de fecho com apenas 8 milímetros de diâmetro, o que obriga a desviar o olhar da estrada por vários segundos.
A Google utiliza o sistema de geolocalização para segmentar os anúncios por proximidade, sugerindo estabelecimentos que estejam a menos de 2 quilómetros da localização atual do veículo. O algoritmo de recomendação tem em conta o histórico de pesquisas do utilizador e os padrões de navegação.
Os anúncios surgem no layer de navegação ocupando 40% do ecrã, com botão de fecho de 8 mm que obriga a desviar o olhar da estrada por 3 segundos. A Google usa geolocalização por GPS diferencial para segmentar estabelecimentos a menos de 2 km do veículo. Em Portugal, 1.2 milhões de veículos usam Android Auto, número que cresce 25% ao ano.
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