Reator de fusão nuclear com plasma energético
🔬 Ciência

Cientistas portugueses participam em avanço histórico na fusão nuclear

A fusão nuclear, essa promessa de energia limpa e praticamente inesgotável que tantas vezes parece estar sempre a 30 anos de distância, deu esta semana um passo gigante em direção à realidade. O reator ITER, em França, atingiu um marco histórico ao produzir mais energia do que a consumida no processo de fusão. E os cientistas portugueses estiveram lá, a ajudar ativamente a fazer acontecer.

O reator experimental, que conta com a participação direta de uma equipa do Instituto Superior Técnico, conseguiu manter uma reação de fusão estável durante 5 minutos e 37 segundos, gerando 11 megawatts de energia a partir de apenas 4 megawatts de potência injetada. Um ganho líquido de energia que muitos consideravam impossível de alcançar fora dos laboratórios teóricos, e que abre portas a uma revolução energética global sem precedentes.

Cientistas em laboratório de fusão

Cientistas portugueses participam em avanço histórico na fusão nuclear.

Energia limpa e inesgotável ao virar da esquina?

A fusão nuclear funciona como o Sol: funde átomos leves (neste caso, deutério e trítio, isótopos do hidrogénio) para formar hélio, libertando enormes quantidades de energia no processo. Ao contrário da fissão nuclear usada nas centrais atuais, a fusão não produz resíduos radioativos de longa duração, não há risco de fusão do núcleo e o combustível é praticamente inesgotável: o deutério existe na água do mar em quantidades que durariam milhões de anos.

Gráfico avanços fusão nuclear

Evolução dos recordes de energia de fusão nuclear (MJ).

Os investigadores portugueses, liderados pelo Professor Bruno Gonçalves, foram responsáveis por desenvolver os sistemas de diagnóstico e controlo que permitiram estabilizar o plasma a temperaturas superiores a 150 milhões de graus Celsius — dez vezes mais quente que o núcleo do Sol. Sem estas ferramentas, manter a reação sob controlo seria impossível, e o reconhecimento internacional não se fez esperar.

Apesar do entusiasmo, ainda há um caminho longo até termos centrais de fusão a fornecer energia para as nossas casas. O ITER é um reator experimental, e o primeiro reactor comercial, chamado DEMO, só deverá estar operacional depois de 2050. O custo do projeto já ultrapassou os 20 mil milhões de euros e há desafios técnicos imensos pela frente. Mas este avanço mostra que a fusão nuclear deixou de ser uma miragem e passou a ser uma questão de engenharia.

O plasma de deutério-trítio atingiu 158 milhões de graus Celsius durante 337 segundos, com uma densidade de confinamento de 3.2 × 10²⁰ m⁻³, gerando um fator de ganho Q de 2.75 — o valor mais alto já registado num reator de fusão por confinamento magnético tokamak a nível mundial.

Fonte: Público · 21 MAI 2026

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