Lançamento de um Falcon 9 da SpaceX a partir de Cape Canaveral, com o edifício USAF em primeiro plano
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Chips no foguetão: Besxar manda dois «Fabships» no booster do Falcon 9 — 8 minutos acima da linha de Kármán

Às 06:50 EDT de 5 de julho de 2026, um Falcon 9 descolou do Space Launch Complex 40, em Cape Canaveral, na missão Starlink 10-50. No topo iam 29 satélites Starlink v2 Mini. No primeiro estágio — o booster que sobe, separa-se e regressa — viajavam dois pods do tamanho aproximado de um micro-ondas. Chamam-se Clipper Class Fabships e pertencem à Besxar Space Industries, startup de Washington, D.C. que quer fabricar substratos de semicondutores no vácuo do espaço.

Oito minutos e 19 segundos — e de volta ao mar

Os Fabships não foram postos em órbita. Depois da separação do segundo estágio, o booster do Falcon 9 continua a subir e, numa missão Starlink típica, atinge cerca de 115 km de altitude — acima da linha de Kármán (100 km), a fronteira convencional do espaço — antes de regresar para aterrar num droneship no Atlântico. A Spaceflight Now cronometrou o passeio dos pods em cerca de 8 minutos e 19 segundos. É um arco suborbital de curta duração, recuperado com o próprio booster.

Essa arquitetura é o ponto central da aposta da Besxar. Em vez de um satélite dedicado em LEO com cápsula de reentrada — o modelo de empresas como a Varda Space Industries —, a Besxar usa a cadência elevada dos primeiros estágios reutilizáveis da SpaceX. Menos tempo de vácuo útil por voo; muito mais iterações por ano, se o esquema aguentar.

Falcon 9 a descolar de noite de Cape Canaveral com chama intensa e torres de serviço

Lançamento Falcon 9 / Starlink a partir de Cape Canaveral. Na missão 10-50, o payload principal foram 29 Starlink; os Fabships da Besxar iam no booster. Wikimedia Commons / Space Launch Delta 45.

Primeiro o «egg drop» — só depois o fabrico

A CEO e fundadora Ashley Pilipiszyn, que passou pelos primeiros tempos da OpenAI, descreveu o objetivo deste voo inaugural com uma imagem simples: «the ultimate egg drop challenge». Os primeiros Clipper Class levam wafers de semicondutores fabricados em terra — incluindo amostras da Universidade da Virgínia e da Universidade do Texas em Austin, segundo a cobertura da missão — para medir se resistem às cargas de lançamento e de reentrada sem rachar. Não há, neste primeiro voo, demonstração de deposição ativa de substratos em órbita.

A tese de longo prazo é outra: usar o ultra-alto vácuo acima dos 100 km para produzir substratos e precursores com pureza e rendimento que as foundries terrestres teriam dificuldade em igualar. A empresa fala em «orbital semiconductor foundry» como destino, não como estado atual. Em outubro de 2025 anunciou a reserva de 12 voos Falcon 9 para o programa Fabship; o voo de 5 de julho é o primeiro dessa série.

Primeiro estágio Falcon 9 da SpaceX no solo após aterragem, ao pôr do sol, com grua e técnicos

Booster Falcon 9 recuperado. Os pods da Besxar regressam com o 1.º estágio — o fabrico experimental depende dessa recuperação. Wikimedia Commons.

SpaceX investidora, Nvidia no ecossistema

A SpaceX figura como investidora da Besxar. A empresa recebeu ainda apoio do programa Inception da Nvidia para startups. O enquadramento comercial que a CEO usa é deliberado: limites físicos do silício, pressão sobre a cadeia de semicondutores e procura de ambientes de fabrico que a Terra não oferece de forma económica. É narrativa de investimento — e o voo de julho é o primeiro ponto de dados reais de hardware, não ainda de rendimento de produção.

Wafer de silício de 12 polegadas com padrões de circuitos refletidos na superfície

Wafer de silício de 12 polegadas. No primeiro voo, a Besxar transportou wafers terrestres para testar sobrevivência estrutural — não fabrico em voo. Wikimedia Commons.

O que isto é — e o que ainda não é

Convém ser preciso. A Besxar não fabricou chips em órbita a 5 de julho. Não operou uma foundry espacial. Enviou dois pods instrumentados num booster reutilizável, durante menos de nove minutos acima da atmosfera densa, para caracterizar sobrevivência de wafers e hardware. O contrato de 12 voos dá-lhe uma base experimental séria — desde que as recuperações do Falcon 9 se mantenham e os pods regressem intactos.

Se a ciência de processo aguentar a janela curta de vácuo e as vibrações da reentrada, o modelo suborbital pode tornar-se o caminho mais barato para iterar fabrico no espaço. Se não aguentar, a indústria continua a olhar para plataformas orbitais dedicadas. O voo de julho não fecha o debate: abre o caderno de ensaios.

You can think of this similar to the ultimate egg drop challenge. We want to ensure not only can we get wafers to space, do our manufacturing, but also that we’re able to successfully bring back wafers without any type of cracking or damage like that.

— Ashley Pilipiszyn, CEO da Besxar Space Industries (podcast CNBC Manifest Space, via Spaceflight Now)

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