A 17 de junho de 2026, às 09:21 locais (14:21 em Lisboa), o Ariane 6 descolou do Porto Espacial Europeu na Guiana Francesa para o seu voo mais exigente até à data. A missão VA269 colocou em órbita baixa 36 satélites da constelação Amazon Kuiper — a maior carga útil já transportada de uma só vez por um lançador europeu. O marco só foi possível graças à estreia dos novos propulsores sólidos P160C, que acrescentam 14 toneladas de propelente por booster e aumentam a capacidade do foguetão entre 10 a 15%.
O Ariane 6 na configuração A64 (quatro boosters) descola do Porto Espacial Europeu, Kourou, Guiana Francesa. Os novos propulsores P160C — 156 toneladas de propelente cada — são visíveis na base do foguetão. Crédito: ESA.
O P160C representa a primeira grande atualização do Ariane 6 desde o voo inaugural de 2024. Com 14,5 metros de altura e 156 toneladas de propelente sólido por booster, o novo motor foi desenvolvido pela Europropulsion sob contrato da ArianeGroup e da Avio. A estrutura é fabricada em Itália, a tubeira em França e o ignitor na Noruega — um exemplo de cooperação industrial europeia que envolve 13 países. A montagem final e o carregamento de combustível são feitos no próprio Porto Espacial Europeu.
Oitavo sucesso consecutivo
Com este voo, o Ariane 6 soma o oitavo sucesso consecutivo desde que entrou em serviço. A configuração com quatro boosters (A64) já tinha sido testada em dezembro de 2025, mas esta foi a primeira vez com os motores P160C. A capacidade extra permitiu à Arianespace — a operadora comercial do lançador — colocar 36 satélites Kuiper num único lançamento, contra os 32 das missões anteriores com boosters P120C. A ESA estima que o veículo tenha transportado entre 19 a 20 toneladas para órbita baixa, rivalizando com a capacidade do Falcon 9 da SpaceX na sua configuração descartável.
«O Ariane 6 provou-se mais uma vez, consolidando a sua versatilidade como lançador capaz de entregar todos os tipos de missão para todas as órbitas», afirmou Josef Aschbacher, Diretor-Geral da ESA. «Foi concebido desde o início para ser modular — já o vimos lançar em três versões em apenas dois anos — e ainda há mais evoluções para vir.»
Portugal e o programa Ariane
Portugal é Estado-membro da ESA desde 2000 e participa no programa Ariane 6 através da sua quota no orçamento da agência. O nanossatélite português ISTSat-1, construído por estudantes e professores do Instituto Superior Técnico, foi lançado no voo inaugural do Ariane 6 em julho de 2024. A Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), com sede em Coimbra, coordena a participação nacional em programas da ESA, incluindo o programa de lançadores. Para Portugal, o sucesso do Ariane 6 significa acesso autónomo da Europa ao espaço — e continuidade para futuras missões científicas e comerciais com participação portuguesa.
A missão VA269 reforça a posição da Europa no mercado de lançamentos de constelações de satélites, num momento em que a procura por capacidade de transporte espacial dispara. Com o Ariane 6 e o Vega-C, a ESA garante acesso independente ao espaço para cargas institucionais, científicas e comerciais — sem dependência de lançadores não europeus.
Feito por humanos — Portugal Binário
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