Avião da Air France a levantar voo — o acidente do voo AF 447 em 2009 matou 228 pessoas
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Airbus e Air France condenadas por homicídio 17 anos após tragédia do voo Rio-Paris

O voo Air France 447, operado por um Airbus A330-200, fazia a rota Rio de Janeiro-Paris quando, já durante a madrugada sobre o Atlântico, os sensores de velocidade Pitot gelaram, desconectando o piloto automático. A tripulação, desorientada sem indicações fiáveis de velocidade, reagiu com comandos contraditórios que levaram a aeronave a uma perda de sustentação aerodinâmica — um stall profundo a 11.600 metros de altitude. O avião caiu em 3 minutos e meio, matando todos os 216 passageiros e 12 tripulantes.

Avião da Air France a levantar voo

O voo AF 447 da Air France caiu no Oceano Atlântico em 1 de junho de 2009, matando 228 pessoas. O tribunal de Paris condenou a Airbus e a Air France por homicídio involuntário.

O tribunal de Paris considerou que ambas as empresas cometeram negligência grave: a Airbus por não ter comunicado atempadamente os problemas recorrentes com os sensores Pitot, e a Air France por não ter garantido formação adequada aos pilotos para situações de stall em alta altitude. As duas anunciaram já que vão recorrer da decisão. A multa máxima prevista é de 225 mil euros para cada uma — um valor que as famílias das vítimas consideram "irrisório" face às 228 vidas perdidas.

O acidente do voo 447 foi o mais mortal da história da aviação francesa e um dos mais investigados a nível mundial. As caixas negras só foram recuperadas dois anos depois, a 3.900 metros de profundidade, graças a várias campanhas de busca subaquática. Os dados do flight data recorder e do cockpit voice recorder revelaram que os pilotos não tinham recebido treino específico para lidar com a perda de dados de velocidade em cruzeiro — uma lacuna que a Air France já corrigiu nos anos seguintes.

A condenação de uma fabricante e de uma companhia aérea pelo mesmo crime é rara na justiça francesa e abre precedente para futuros casos de segurança aérea. A Airbus, em comunicado, afirmou que "a condição técnica da aeronave não foi a causa direta do acidente", enquanto a Air France sublinhou que "nenhuma ação ou omissão da companhia contribuiu para a tragédia". O Ministério Público terá agora de decidir se aceita os recursos e avança com novo julgamento.

Fonte: Público · SIC Notícias · Observador · AFP · 21 MAI 2026

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