Um robô de combate terrestre não tripulado fabricado pela DevDroid manteve uma posição defensiva durante seis semanas consecutivas sob fogo russo, num marco operacional que está a redefinir o papel da robótica no campo de batalha moderno.
O Droid TW 12.7, equipado com uma metralhadora pesada de 12,7 mm e controlado remotamente, demonstrou uma resiliência que até agora se julgava reservada a soldados humanos em posições fortificadas. O veículo, que pesa cerca de duas toneladas e atinge os 40 km/h em terreno acidentado, foi posicionado numa linha defensiva crítica e nunca abandonou a posição — mesmo quando comunicações e reforços falharam.
Não estamos a falar de drones aéreos, que já se tornaram lugar-comum neste conflito, mas de um veículo de combate terrestre não tripulado (UGV) que operou de forma continuada durante 42 dias sob condições meteorológicas adversas, ataques de artilharia e tentativas de assalto direto. O Droid TW 12.7 é controlado através de uma estação remota com ligação encriptada, mas o que realmente o distingue de outros UGVs é a sua capacidade de operação semi-autónoma: quando as comunicações são cortadas
— algo que acontece com frequência num campo de batalha com guerra eletrónica russa ativa — o robô entra em modo autónomo e continua a cumprir a última ordem recebida. No caso reportado pelo Defense One, essa ordem era "defender a posição", e o robô fê-lo durante 42 dias.
O Droid TW 12.7 é controlado remotamente através de ligação encriptada por satélite — quando o sinal é cortado por guerra eletrónica russa, o sistema entra em modo autónomo e continua a missão.
Muito mais que um drone com rodas
Durante as seis semanas de operação, a torre controlada remotamente disparou mais de 2.000 munições de 12,7 mm, neutralizando múltiplos assaltos de infantaria e viaturas ligeiras. O sistema de visão noturna termal e o radar de curto alcance permitiram deteções a mais de 1.500 metros, mesmo sob nevoeiro intenso e fumo de artilharia.
Enquanto que uma posição equivalente defendida exclusivamente por soldados teria exigido um pelotão de 15 a 20 militares com rotações de 48 a 72 horas, o Droid TW 12.7 operou com zero baixas do lado ucraniano naquele setor. A manutenção resumiu-se a duas substituições de baterias e uma limpeza ao sistema de alimentação da metralhadora.
O comandante da unidade, citado pelo Defense One sob anonimato por razões operacionais, descreveu o desempenho como "superior ao esperado" e revelou que o robô "não falhou uma única vez" durante todo o período. A DevDroid, fabricante do sistema, já terá recebido pedidos de várias delegações estrangeiras interessadas na plataforma. O custo unitário do Droid TW 12.7 ronda os 150 mil dólares por unidade
— um valor significativamente inferior ao custo de treino e equipamento de um soldado de infantaria ao longo de um ano de serviço ativo, que as forças armadas ocidentais estimam entre 80 e 120 mil dólares anuais por militar.
O custo unitário do Droid TW 12.7 ($150.000) é inferior ao custo anual de um soldado em serviço ativo ($80.000-$120.000) — e a infraestrutura de TI de suporte é partilhada por centenas de sistemas.
O futuro dos conflitos assimétricos
A experiência ucraniana com o Droid TW 12.7 não é um caso isolado. Desde o início da invasão em grande escala, a Ucrânia tem testado dezenas de plataformas robóticas terrestres de fabrico nacional e ocidental, muitas delas em cenários de combate real. O que torna este caso particular é a duração ininterrupta da operação
— seis semanas sem rotação, sem fadiga, sem baixas. Para contexto, o exército ucraniano opera atualmente mais de 200 sistemas robóticos terrestres de diferentes fabricantes, desde pequenos veículos de reconhecimento até plataformas armadas como o Droid TW 12.7, passando por sistemas de evacuação médica e unidades de desminagem.
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