O Pentágono atualizou esta segunda-feira a sua lista 1260H de empresas chinesas que considera estarem a apoiar as Forças Armadas da China, num alargamento de escala industrial que abrange desde gigantes do comércio eletrónico a fabricantes de carros elétricos, robôs humanoides, chips de memória e painéis solares.
Entre as novas adições mais emblemáticas estão a Alibaba (e-commerce, cloud computing, IA), a Baidu (motor de busca, condução autónoma), a BYD (maior fabricante mundial de carros elétricos), a NIO (VE premium), a Unitree (robós humanoides), a WuXi AppTec (gigante de investigação farmacêutica), e as fabricantes de chips de memória CXMT e YMTC.¹ ² ³
📋 A lista 1260H — o que é e o que significa
A Section 1260H da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) de 2021 obriga o Pentágono a identificar empresas chinesas com laços diretos ou indiretos com o Exército Popular de Libertação. Não impõe sanções automáticas, mas tem consequências práticas:⁴
- A partir de 30 de junho de 2026, o Departamento de Defesa está proibido de contratar diretamente com empresas listadas.
- A partir de junho de 2027, também não pode comprar produtos ou serviços destas empresas através de terceiros.
- A inclusão cria risco de compliance para qualquer empresa americana que faça negócios com as listadas.
- Não proíbe comércio, investimento nem sanções automáticas — mas o estigma é enorme.
A lista cresceu de ~130 para 188 entidades, abrangendo setores como IA, semicondutores, veículos elétricos, baterias, biotecnologia, robótica, painéis solares e equipamentos de rede.⁵
🚗 Os gigantes do setor automóvel e tecnológico na mira
No setor da robótica, a Unitree é talvez a adição mais simbólica. A empresa de Hangzhou enviou mais robôs humanoides do que a Tesla em 2025 e está a preparar um IPO de $7 mil milhões (€6,1 mil milhões) na Bolsa de Xangai. A Alibaba e a Tencent são ambas investidoras na Unitree. Na semana passada, a Nvidia anunciou planos para trabalhar com a empresa no desenvolvimento de robôs para investigação.⁶
No setor dos semicondutores, as fabricantes de memória CXMT e YMTC foram reinseridas na lista depois de terem sido retiradas da versão de fevereiro. Ambas estão a duplicar a sua produção de wafers, numa expansão agressiva que preocupa Washington.
🤝 O timing: três semanas após o aperto de mãos Trump-Xi
A publicação chega menos de um mês após a cimeira Trump-Xi em Pequim (13-15 de maio de 2026), onde os dois líderes concordaram com uma trégua comercial frágil e criaram um "conselho de comércio" e um "conselho de investimento" bilaterais. A China comprometeu-se a comprar $17 mil milhões/ano em produtos agrícolas americanos e 200 Boeing. Mas o tech ficou de fora das conversas.⁷
Esta lista é um reality check pós-cimeira sobre o estado elevado da concorrência EUA-China.
— Craig Singleton, Foundation for Defense of Democracies⁸
Em fevereiro, o Pentágono tinha publicado uma versão semelhante da lista e retirou-a horas depois sem explicação. O motivo não declarado: evitar prejudicar a cimeira Trump-Xi que estava a ser negociada. A versão publicada agora repõe a de fevereiro, com o acréscimo da CXMT e YMTC — cuja exclusão em fevereiro tinha gerado críticas dos falcões anti-China em Washington.⁹
Com outra cimeira Xi-Trump potencialmente agendada para setembro em Washington, o cálculo da Casa Branca é delicado: até onde pode pressionar Pequim sem que esta cancele o encontro?
💣 As reações
- Alibaba: "Não há qualquer base para nos incluírem. Não somos uma empresa militar chinesa. Vamos usar todas as ações legais disponíveis." ¹⁰
- Baidu: "A sugestão de que somos uma empresa militar é totalmente infundada. Não hesitaremos em usar todas as opções ao nosso dispor para sermos removidos da lista." ¹¹
- BYD: "Oposição firme. Usaremos todos os meios administrativos e legais para nos defendermos."
- NIO: "As restrições de contratação não vão impactar os negócios da empresa."
- WuXi AppTec: "A nossa inclusão é incorreta. Vamos contestá-la e corrigi-la."
- Pequim (MNEs): "A lista é discriminatória e suprime injustamente empresas chinesas." ¹²
- Moolenaar (Pres. Comité China da Câmara): "Estas empresas estão a trabalhar com o exército chinês contra os interesses nacionais dos EUA."
🔍 O panorama geral: uma guerra de listas
A lista 1260H é apenas uma das ferramentas dos EUA para pressionar a China tecnológica. Além dela, existem a Entity List (Departamento de Comércio, que restringe exportações de chips e equipamentos), as sanções OFAC (Tesouro) e as tarifas (100% sobre VE chineses).¹³
Pelo lado chinês, Pequim tem a sua própria "Lista de Entidades Não Confiáveis" e usou recentemente pela primeira vez o seu mecanismo de bloqueio legal contra sanções americanas — um sinal de que está a endurecer a sua postura jurídica.
Feito por humanos — Portugal Binário
Fontes
¹ Reuters — ² CNBC — ³ SCMP — ⁴ The Next Web — ⁵ Pentagon DOD Notice — ⁶ TechCrunch — ⁷ Reuters/Trump-Xi Summit — ⁸ Foundation for Defense of Democracies — ⁹ Bloomberg — ¹⁰ Alibaba Statement/CNBC — ¹¹ Baidu Statement/Reuters — ¹² China Foreign Ministry — ¹³ 22V Research
Taxa de câmbio: €1 = $1,1537 (9 jun 2026)
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