A ciência portuguesa voltou a brilhar. Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra anunciou a descoberta de um novo composto que consegue retardar significativamente a progressão da doença de Alzheimer, um dos maiores desafios da medicina moderna e que afeta mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.
Os resultados dos ensaios clínicos, publicados na prestigiada revista Nature Medicine, mostram que o fármaco conseguiu abrandar em 40 por cento o declínio cognitivo dos pacientes, comparativamente ao grupo de controlo. Um resultado que ultrapassou as expectativas iniciais da equipa de investigação e que representa um avanço significativo numa área onde os progressos têm sido lentos e repletos de falhanços.
O novo composto atua nos agregados de proteína tau no cérebro.
Como funciona o novo composto
O composto atua diretamente nos agregados de proteína tau, uma das principais causas da degeneração neuronal na doença de Alzheimer. Ao impedir a formação destes agregados tóxicos, o fármaco protege as células nervosas e retarda a progressão da doença, mantendo as capacidades cognitivas dos pacientes por mais tempo — incluindo a memória, a linguagem e a capacidade de realizar tarefas quotidianas.
Resultados dos ensaios clínicos: 40% de redução no declínio cognitivo.
O próximo passo será alargar os ensaios a um número maior de pacientes, envolvendo centros hospitalares em vários países europeus, e se os resultados se confirmarem, avançar para o processo de aprovação regulatória junto das autoridades de saúde europeias (EMA). Todo o processo poderá levar entre três a cinco anos, mas as perspetivas são animadoras e já atraíram o interesse de várias farmacêuticas internacionais.
Para já, fica a satisfação de ver a investigação nacional a produzir resultados que podem vir a mudar a vida de milhões de pessoas. Num país que tantas vezes se queixa da falta de investimento em ciência — Portugal investe apenas 1.4 por cento do PIB em investigação, abaixo da média europeia de 2.3 por cento —, este é um exemplo de que, com talento e persistência, se pode chegar longe. A equipa de Coimbra já recebeu felicitações do Ministério da Ciência e promete continuar a trabalhar para levar o fármaco aos doentes o mais rapidamente possível.
O composto (PT-ALZ-01) inibe a agregação da proteína tau com IC50 de 12 nM. Nos ensaios clínicos de fase II (n=420 pacientes), o declínio cognitivo medido pela escala CDR-SB foi 40% inferior ao placebo. A biodisponibilidade oral é de 68% e a meia-vida plasmática é de 14 horas. Portugal investe 1.4% do PIB em I&D, abaixo da média europeia de 2.3%.
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