Robô humanoide branco e preto com o logótipo Minth Group no peito e um braço levantado, em frente a uma bandeira azul «AGIBOT X2», num salão com espelho dourado.

Fotografia: JJxFile / Wikimedia Commons — CC BY 4.0

💡 Tecnologia

Robôs humanoides da AGIBOT passam a ser distribuídos em Portugal pela SDATA AI

A SDATA AI, empresa de Vila Nova de Famalicão, apresentou hoje em Lisboa a parceria com a chinesa AGIBOT e passa a distribuir no mercado português robôs humanoides e quadrúpedes do fabricante. O encontro, «BEYOND AI», decorreu no SUD Lisboa e reuniu responsáveis das duas empresas e empresas convidadas.

A parceria já vinha de trás: a SDATA AI apresenta-se como distribuidora oficial autorizada da AGIBOT desde Julho, e o evento estava marcado desde Setembro. O que houve hoje foi a apresentação formal ao mercado português — a empresa vende, demonstra, integra e dá suporte, segundo o que descreve no seu próprio sítio.

A escala global é o argumento comercial. Em Portugal, a operação arranca como distribuição: nem a apresentação de hoje nem os materiais públicos da SDATA AI indicam clientes, encomendas ou preços.

Quem é a AGIBOT

A AGIBOT foi fundada em Xangai em Fevereiro de 2023 por antigos engenheiros da Huawei e desenvolve robôs para aplicações industriais, comerciais e de entretenimento. A gama vai dos humanoides das séries A e X aos robôs industriais G, aos quadrúpedes D e às soluções de limpeza.

A produção é um dos argumentos da empresa: do 5.000.º ao 10.000.º robô passaram três meses, e a AGIBOT encerrou Setembro com 20.000 unidades produzidas desde a fundação — mais 5.000 do que o marco anunciado em Junho.

A liderança nas entregas do primeiro semestre de 2026 é atribuída por dois estudos de mercado citados pela própria empresa, a Counterpoint e a IDC, que colocam a AGIBOT à frente de rivais como a Unitree e a Galbot. Os totais do mercado variam entre consultoras para o mesmo período.

EncontroBEYOND AI, no SUD Lisboa, a 6 de Outubro de 2026
Quem distribuiSDATA AI, de Vila Nova de Famalicão (sociedade constituída em 2024)
Quem fabricaAGIBOT, de Xangai (fundada em Fevereiro de 2023)
Gama em PortugalA2 e X2 (humanoides), G2 (industrial), D1 (quadrúpede) e C5 (limpeza)
Entregas da AGIBOT no 1.º semestre de 20269 700 unidades (Counterpoint); mais de 8 600 (IDC)
Mercado global no semestremais de 22 000 unidades (Counterpoint); quase 25 000 (IDC)
Preços e clientes em Portugalnão anunciados

Na China, onde a empresa concentra a operação, a utilização já saiu das demonstrações: 100 robôs X2 foram instalados em lojas da cadeia de utensílios de cozinha ASD como assistentes de venda, mais de 300 robôs trabalham num parque temático e o G2 opera numa linha de inspecção da fabricante de electrónica Longcheer.

Robô humanoide X2 com um chapéu de cozinheiro da marca ASD e um avental, em frente a prateleiras com panelas, numa loja

Um dos 100 robôs AGIBOT X2 instalados em lojas da ASD, na China, em Setembro de 2026.

Crédito: Imagem: AGIBOT — material de imprensa

«80% das tarefas, mas lentos»

O potencial é enunciado pelo próprio distribuidor com uma reserva: «Estes equipamentos já conseguem fazer 80% das tarefas que um humano pode fazer, mas ainda são um pouco lentos», afirmou Paulo Silva, administrador executivo da SDATA AI.

A limitação não é mecânica, explicou: vem dos modelos, que ainda não têm dados suficientes para um uso fluido, e pode atenuar-se nos próximos dois a três anos sem trocar hardware. Para o responsável, a automação não substitui pessoas — tira-lhes tarefas repetitivas ou de risco.

Na Europa, a AGIBOT trabalha com parceiros de fabrico e distribuição, como o Minth Group, cujo logótipo aparece no exemplar X2 da fotografia de abertura. William Shi, responsável europeu da empresa, apresentou sete cenários já comercializados, da carga e descarga à limpeza, e disse acreditar que há «muitas oportunidades» em Portugal.

O que ainda falta

Ficam por responder as perguntas que decidem a adopção: quanto custa cada robô, quem os vai comprar em Portugal e com que integração. A informação pública sobre a operação portuguesa é, para já, a de uma distribuição em fase de arranque, e não está identificado qualquer apoio público associado.

A partir de agora, o que muda é o acesso: as empresas portuguesas podem comprar, testar e integrar estes robôs através de um distribuidor nacional. Quem o vai fazer — e para quê — continua em aberto.

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