Vista da Terra em órbita baixa com uma malha de satélites ligados por linhas ópticas vermelhas, sobre fundo negro do espaço

Imagem: Open Cosmos — arte oficial do anúncio da constelação ConnectedCosmos, 5 de Outubro de 2026 (imagem de imprensa da própria empresa).

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Open Cosmos confirma constelação de 192 satélites, com fabrico em Portugal e cobertura global em 2030

A Open Cosmos, empresa europeia de satélites com fábrica em Portugal, confirmou a arquitectura da sua constelação de conectividade ConnectedCosmos: 192 satélites formam o núcleo da rede e mais de 96 devem estar em órbita até ao final de 2028, com cobertura global como objectivo até 2030. O próximo lançamento está previsto para antes do fim deste ano.

O anúncio, feito a 5 de Outubro, chega um mês depois de a empresa ter captado 300 milhões de euros — uma ronda que a Open Cosmos destina, segundo o comunicado, à fabricação em massa de satélites e à aceleração das suas três vertentes: a constelação de observação da Terra OpenConstellation, a de conectividade ConnectedCosmos e a plataforma DataCosmos.

Para Portugal, o essencial é a posição: a empresa britânica com fábrica em Coimbra e subsidiária com sede no Porto é uma das quatro localizações de fabrico de uma das maiores constelações europeias de conectividade. O risco que a empresa própria admite não é industrial — é o acesso a foguetes.

Uma malha espacial que contorna os cabos submarinos

A ConnectedCosmos está desenhada para governos, instituições e empresas que exigem conectividade segura e controlo dos seus dados críticos, como alternativa europeia ao que já existe em órbita. Em vez de depender de estações terrestres e cabos submarinos, os satélites ligam-se entre si por ligações ópticas ponto-a-ponto e movem grandes volumes de dados — imagens em bruto, transmissões de vídeo, réplicas de bases de dados — lateralmente pelo espaço.

O sistema integra ainda a observação da Terra: a componente de conectividade serve de camada de transporte aos satélites da OpenConstellation, e a plataforma DataCosmos transforma esse fluxo em informação utilizável. O objectivo, explica a empresa, é que um governo consiga ir dos dados em bruto à decisão dentro de um mesmo circuito seguro.

O calendário: 96 até 2028, global em 2030

Pelo plano anunciado, mais de 96 satélites estarão em órbita até ao final de 2028, numa trajectória de cobertura global em 2030. O próximo lançamento da ConnectedCosmos «estará em curso antes do fim deste ano», segundo o comunicado, e a empresa diz estar em conversas avançadas com vários fornecedores de lançamento para missões adicionais entre o final de 2026 e meados de 2027.

A constelação foi revelada em Janeiro de 2026 e os dois primeiros satélites de demonstração seguiram para órbita nesse mês. O fundador e director-executivo, Rafel Jordà Siquier, disse ao SpaceNews que pelo menos 50 satélites do plano já estão construídos.

O aperto está nos foguetes. A Space News e a Space Intel Report descrevem uma empresa com dificuldades para garantir lançadores, num contexto em que também há prazos regulatórios de colocação em órbita a cumprir — e onde o calendário do espectro não tolera atrasos infinitos.

Vista orbital da Europa de noite, com as cidades iluminadas a amarelo-ouro e a atmosfera como um fino arco azulado no limbo do planeta

A vista oficial da página do ConnectedCosmos: a Europa iluminada de noite, um dos alvos da constelação.

Crédito: Imagem: Open Cosmos — página oficial do ConnectedCosmos

O espectro: registos do Liechtenstein, antes da Rivada

A constelação vai operar na banda Ka em registos de espectro atribuídos pelo Liechtenstein — prioridades que pertenciam à Rivada Space Networks e que a Open Cosmos assegurou em Janeiro, reporta a Via Satellite. No regime da União Internacional de Telecomunicações, o direito prioritário ao espectro exige colocar satélites em órbita dentro dos prazos registados: o calendário do anúncio não é, por isso, só marketing.

O papel português

A Open Cosmos Atlantic, a subsidiária portuguesa com sede no hub UPETEC, no Porto, anunciou em Outubro de 2024 novas instalações em Coimbra, que ficaram operacionais no início de 2025. É uma das quatro fábricas europeias do grupo — com o Reino Unido, a Espanha e a Grécia —, onde a empresa afirma ter capacidade para produzir um satélite por dia.

O investimento anunciado em Setembro para Portugal é de 50 milhões de euros, com a equipa local a dobrar, de 50 para 100 pessoas. Em paralelo, a empresa constrói três satélites portugueses de observação da Terra no âmbito da Portugal Open Constellation, apoiada pelo PRR — o lançamento continuava indicado para 2026 na cobertura do anúncio, e não há registo público de que algum tenha já ido para órbita.

O mercado já chegou a Portugal por outros caminhos: em Setembro, a MEO fechou com a Eutelsat a integração de um satélite LEO na oferta a clientes críticos. A ConnectedCosmos entra no mesmo mar mas com outro posicionamento — infraestrutura soberana para governos e instituições, não serviços de consumo.

ConstelaçãoConnectedCosmos, em órbita terrestre baixa
Satélites do núcleo192
Em órbita até ao final de 2028mais de 96
Cobertura globalobjectivo até 2030
Demonstradores em órbita2, desde Janeiro de 2026
Satélites construídoscerca de 50, segundo o CEO (via SpaceNews)
Próximo lançamentoantes do fim de 2026
Investimento anunciado em Portugal50 M€, equipa de 50 para 100

Continua por saber-se quanto vale cada contrato, quem são os clientes assinados, qual das quatro fábricas produz cada satélite e como se distribui o calendário missão a missão. A empresa garante que haverá mais capacidade «quando os clientes e os países parceiros precisarem», mas para já não nomeou nenhum.

Para Portugal, o anúncio transforma uma fábrica nacional num elo de uma rede europeia de conectividade soberana em construção. A parte que a empresa controla — desenhar e fabricar satélites a ritmo — está a andar; a parte que não controla, o acesso a lançadores suficientes, é a que o calendário de 2028 vai pôr à prova.

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