Antenas parabólicas brancas de grande diâmetro espalhadas por campos verdes na estação terrena de Raisting, na Baviera, com uma delas em primeiro plano sobre um edifício circular, sob céu com nuvens carregadas.

SimonWaldherr / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0 (estação terrena de Raisting, Alemanha; imagem de arquivo)

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Quatro gigantes europeus juntam-se pelo espectro dos satélites

Quatro das maiores operadoras de telecomunicações da Europa assinaram esta segunda-feira uma carta de intenções para estudar uma candidatura conjunta ao espectro de serviços móveis por satélite (MSS) na banda dos 2 GHz. O documento não cria um consórcio, não tem valores nem compromissos financeiros e não escolhe satélite.

O objectivo declarado é duplo: garantir «uma posição autónoma da Europa» na infra-estrutura espacial e assegurar que todas as operadoras móveis tenham «acesso aberto e não discriminatório» para oferecer ligação directa entre satélite e telemóvel, o chamado D2D.

No terreno, as quatro comprometem-se a montar infra-estrutura terrestre e funções de coordenação e controlo na Europa, sem investirem directamente numa constelação. O satélite virá de um parceiro «ainda por seleccionar».

SignatáriasDeutsche Telekom, Orange, Telefónica e Vodafone
Instrumentocarta de intenções, não uma candidatura
Banda em causa2 GHz, serviços móveis por satélite
Serviço visadoligação directa satélite-telemóvel (D2D)
Constelaçãosem investimento directo; parceiro por escolher
Valores e calendárionão divulgados

Porque é que isto é uma corrida

As licenças actuais de MSS na banda dos 2 GHz expiram em 2027. A Comissão Europeia propôs a 27 de Maio um regulamento que substitui a decisão de 2008 e passa a fazer a selecção e a autorização ao nível da União, em vez de país a país. O processo está agora no Parlamento e no Conselho.

É esse calendário que dá sentido à carta: quem entrar primeiro no procedimento europeu fica com acesso à banda e, através dela, à possibilidade de ligar telemóveis comuns a satélites fora das zonas com cobertura terrestre.

O que está em jogo não é um satélite, é a porta de entrada: quem controlar o espectro e a rede terrestre que liga o satélite à operadora decide quem pode vender cobertura por satélite na Europa.

A parte portuguesa

Das quatro signatárias, só a Vodafone tem rede em Portugal. A Telefónica vendeu a operação portuguesa à Altice em 2015, a Orange não opera no país e a Deutsche Telekom também não. A MEO, a NOS e a DIGI não assinam nada.

Isso não deixa Portugal de fora: a decisão sobre a banda dos 2 GHz está a ser tomada ao nível da União, onde o país tem assento no Conselho. Mas o desenho da rede terrestre e a escolha do satélite não passam por Lisboa.

O que ainda não se sabe

Falta o essencial: quanto custa, quem concorre, que satélite serve a rede e em que prazo. As operadoras dizem apenas que a carta «não substitui parcerias de satélite existentes», ou seja, que ninguém está a romper com fornecedores actuais.

A Bloomberg titulou o movimento como uma tentativa de «travar a SpaceX» na ligação directa por satélite. As quatro empresas não usam essa linguagem: falam de soberania europeia e de governação do espaço. As duas leituras podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

O próximo passo é legislativo, não comercial: o regulamento tem de passar pelo Parlamento e pelo Conselho antes de haver candidaturas. Até lá, a carta é uma intenção declarada e um recado a quem estiver a preparar a mesma banda.

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