Militares fardados de camuflagem, com coletes e óculos escuros, sentados numa embarcação pneumática em volta de um portátil reforçado; um deles gesticula a falar, ao fundo vê-se o mar.

U.S. Navy / Travis Simmons — domínio público (REPMUS 2019, em Sesimbra; edição anterior do exercício)

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NOS e Telefónica assinam acordo de defesa testado no REPMUS 26

A NOS e a Telefónica assinaram um memorando de entendimento para desenvolver comunicações seguras e serviços digitais aplicados a cenários de defesa e segurança. O anúncio é desta terça-feira, mas a assinatura aconteceu no REPMUS 26, o exercício de sistemas marítimos não tripulados que decorreu em Tróia e Sesimbra entre 31 de Agosto e 25 de Setembro.

O documento não tem valor, prazo ou exclusividade e não atribui contratos. Compromete as duas operadoras a explorar interoperabilidade de redes, comunicações seguras, edge computing, inteligência artificial, 5G avançado e a integração destas tecnologias com sistemas de comando e controlo e plataformas autónomas.

As empresas descrevem o acordo como «a culminação de um ano de trabalho conjunto» e dizem que, durante o exercício, ligaram as respectivas capacidades 5G para mostrar que é possível combinar infra-estruturas de operadoras diferentes ao serviço de aplicações militares.

SignatáriasNOS e Telefónica
Instrumentomemorando de entendimento (MoU)
Assinaturadurante o REPMUS 26, em Portugal
Anúncio20 de Outubro de 2026
Âmbito5G avançado, edge computing, IA e comunicações seguras
Valores, prazos e contratosnão divulgados

O que foi testado

Segundo o jornal espanhol Cinco Días, as duas operadoras desdobraram redes privadas 5G para ligar drones e veículos autónomos na península de Tróia e em Sesimbra. A Telefónica confirma a integração das capacidades 5G das duas empresas durante o exercício, mas não detalha equipamentos, resultados nem desempenho dos testes.

O REPMUS é organizado pela Marinha Portuguesa com entidades nacionais e internacionais. A edição deste ano reuniu 36 marinhas, cerca de 300 sistemas não tripulados e mais de 3.700 participantes, segundo o balanço publicado pela NATO a 8 de Outubro. A Marinha tinha anunciado, antes do arranque, mais de 1.500 participantes.

Um memorando não é um contrato: dá às duas operadoras um quadro para se apresentarem juntas a programas de defesa, mas não garante encomenda, financiamento nem exclusividade.

Porque é que as operadoras querem entrar na defesa

A defesa europeia tornou-se um mercado de infra-estrutura digital: comunicações resilientes, computação na periferia da rede e ligação a plataformas autónomas passaram a requisitos de concursos nacionais e de programas da NATO. A Telefónica já participou em mais de 15 exercícios da Aliança, segundo o Cinco Días, e as duas empresas integram a rede ALAIAN, um ecossistema de inovação em 5G.

A NOS é a única operadora portuguesa no memorando — a outra signatária é espanhola. Para Portugal, o interesse é duplo: o país recebe o exercício onde as capacidades são testadas e uma empresa nacional passa a ter acesso a um parceiro com presença industrial em Espanha e em programas de defesa europeus.

O que fica por saber

Falta o essencial: quem paga o quê, que contratos podem sair daqui e em que prazo. O Cinco Días escreve que as operadoras «projectam concorrer juntas» a futuros contratos de telecomunicações da NATO; o comunicado da Telefónica não usa essa formulação nem apresenta a Aliança como cliente.

Também não está claro o que significa, na prática, «ciberdefesa». O termo aparece no Cinco Días, mas não na lista de áreas do memorando divulgada pela Telefónica, que fala de comunicações seguras, interoperabilidade e integração com sistemas de comando e controlo.

O próximo passo não é técnico, é comercial: transformar um exercício e um memorando em propostas a programas europeus e da Aliança. Até lá, o que existe é uma intenção assinada em Setembro, divulgada agora, e nenhum número que permita medir o que vale.

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