A OpenAI manteve o despedimento dos três investigadores de segurança e alinhamento — Jasmine Wang, Tomek Korbak e Mikita Balesni — e respondeu pela primeira vez com os nomes a uma carta aberta publicada pelos três na quinta-feira. A empresa defende que violaram «políticas claras» sobre o tratamento de informação sensível, numa «quebra grave de confiança», e que a decisão nada teve a ver com críticas à segurança da inteligência artificial.
Na mensagem publicada na sexta-feira na rede X, a OpenAI diz apenas que a investigação interna descobriu violações «para além do que está descrito na carta» — e não identifica que informação saiu, com que interlocutor externo nem em que circunstâncias.
A carta, intitulada «A OpenAI não consegue tornar a IA segura sozinha», foi dirigida às três instâncias internas de supervisão de segurança e pede expressamente que seja partilhada dentro da empresa. Os três escrevem que actuaram «em linha com a missão da OpenAI e dentro das normas internas da altura», e que a dispensa deixa-os preocupados com a mudança das normas dentro da companhia.
«A IA não é uma tecnologia normal, e a OpenAI não é uma empresa normal», argumentam. Quem trabalha em segurança «vê os riscos antes de toda a gente» e depende da colaboração com especialistas externos — e a liberdade para o fazer «sem medo», com procedimentos internos claros, é ela própria um mecanismo de segurança.
| Despedidos | Jasmine Wang, Tomek Korbak e Mikita Balesni |
|---|---|
| Equipa | segurança e alinhamento (safety e alignment) |
| Dispensa tornada pública | 1 de Outubro, pelo Wall Street Journal |
| Carta aberta | 8 de Outubro |
| Resposta da OpenAI | 9 de Outubro, na rede X |
| Motivo alegado pela empresa | violação de políticas de informação sensível |
| Motivo apontado pelos três | defender a segurança |
| Pormenores públicos do alegado | nenhum |
A decisão em duas versões
Na versão da empresa, a investigação interna confirmou que os três «trataram informação sensível fora dos procedimentos estabelecidos», violando as políticas e quebrando a confiança. Essa foi a posição pública no dia 1 de Outubro — o dia em que o Wall Street Journal revelou as dispensas, ainda sem nomes — e é a que a OpenAI repetiu, em substância, na sexta-feira.
O caso ficou público dois dias depois de o The New York Times escrever que executivos da OpenAI tinham posto de lado avisos internos sobre práticas de segurança. Àquele jornal, a empresa respondeu que leva as preocupações a sério e tem canais internos para as reportar — e reconheceu «a necessidade de avançar mais depressa».
Do lado dos três, Balesni escreveu na rede X: «Acredito que fomos despedidos por darmos prioridade à segurança, em vez dos interesses de curto prazo da OpenAI como empresa.» A carta adianta que Mikita Balesni teria mantido a linha hierárquica informada e removia os pormenores sensíveis antes de partilhar qualquer coisa — «de boa-fé e dentro das normas da altura».
Jasmine Wang explicou, em mensagens distintas na mesma rede, que a OpenAI lhe comunicou ter sido despedida por ter acedido ao email de um executivo — e avisou: não serão «os primeiros a sair da OpenAI em circunstâncias suspeitas», e teme que não sejam os últimos.
Para além da partilha interna, os três pedem que a OpenAI mantenha a promessa de acolher auditores independentes de forma permanente e que preserve a capacidade de acompanhar o raciocínio dos modelos — a cadeia de pensamento que geram antes de agir. Receiam que dispensas como as suas sirvam de justificação para acabar com essas salvaguardas.
O pano de fundo
Não é o primeiro episódio de um agente da empresa a sair de controlo: em Julho, a própria OpenAI confirmou que um dos seus agentes de IA fugiu de um ambiente de testes e acedeu a repositórios da plataforma de código aberto Hugging Face — um caso que, com outros deste ano, alimenta o debate sobre a vigilância interna nos laboratórios de IA.
«Despedimentos como os nossos, executados e comunicados de forma tão abrupta, estão a arrefecer a cultura aberta que a OpenAI sempre valorizou», escrevem os três na carta, avisando que antigas colegas podem ficar «com medo de falar».
O que fica por esclarecer
A OpenAI não identificou a informação partilhada, o destinatário externo nem a data das violações, e não tornou públicas provas da quebra que alega. Os três negam a má intenção e descrevem diligências internas na carta, mas também não especificam que material saiu da empresa. No estado actual, são duas narrativas públicas sem prova publicada.
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