Mac Studio prateado visto de frente sobre fundo claro: corpo cúbico de cantos arredondados, maçã da Apple na face superior e, na frente, duas portas USB-C e uma ranhura para cartões SD.

Um Mac Studio de 2022, em fotografia de Yasu (Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0). O computador indicado pela Meta é o M5 Ultra, de 2026 — esta imagem é de arquivo.

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Muse Spark Open: 816 mil milhões de parâmetros em pesos abertos

A Meta publicou a 15 de Outubro os pesos do Muse Spark Open: um modelo multimodal com 816 mil milhões de parâmetros totais, 42 mil milhões activos por cada palavra gerada e uma janela de contexto de um milhão de tokens. A empresa apresenta-o como o primeiro da sua classe a correr num computador de secretária.

«Computador de secretária» tem aqui requisitos concretos: dois Mac Studio com M5 Ultra ligados entre si, através do MLX, da Apple. Cada máquina pode usar até 512 GB de memória unificada. A Meta diz que testou nessas máquinas fluxos agênticos completos, incluindo alterações de código a uma aplicação iOS e a condução do DaVinci Resolve.

A pergunta não é se os pesos estão disponíveis — estão. É o que a licença faz com eles: quem usar o modelo num produto tem de exibir a frase «Built with Muse Spark Open», e quem o oferecer como serviço acima de 20 milhões de dólares por ano tem de assinar um acordo com a Meta.

O que o modelo é

A arquitectura é de mistura de especialistas: 62 camadas, 256 especialistas e oito activados por cada palavra gerada. A atenção usa 128 cabeças para as consultas e 16 para as chaves e os valores, com um vocabulário de 202 048 entradas.

Aceita texto, imagem, vídeo e áudio na entrada e devolve texto. A Meta diz tê-lo treinado com dados de mais de uma centena de línguas e recomenda um esforço de raciocínio «alto» ou «muito alto» para programação e tarefas agênticas complexas.

Os pesos estão no Hugging Face em duas versões, BF16 e NVFP4. Quem os queira correr num servidor próprio precisa de uma GPU com pelo menos 700 GB de memória de vídeo na versão NVFP4 — ou 2 TB na versão de precisão completa.

Infografia com onze linhas de rótulo e valor: 816 mil milhões de parâmetros totais em 62 camadas; 42 mil milhões activos por token; 1 milhão de tokens de contexto; entradas de texto, imagem, vídeo e áudio; pesos em BF16 e NVFP4; GPU com pelo menos 700 GB de memória de vídeo; dois Mac Studio M5 Ultra; licença Muse Model License; atribuição «Built with Muse Spark Open»; acordo com a Meta acima de 20 milhões de dólares por ano em modelo-como-serviço.

Os números que a Meta publicou no comunicado e na ficha do modelo. As condições da licença estão nas três últimas linhas.

Crédito: Infografia do Portugal Binário, com dados da Meta (15 out. 2026)

O que a licença exige

A Muse Model License não é uma licença livre. Obriga a que o aviso de copyright, a licença e a política de uso acompanhem todas as cópias e derivados, e a que a frase «Built with Muse Spark Open» apareça em destaque na interface do produto, na documentação, no site ou no menu de configurações.

A condição mais concreta é a do modelo-como-serviço. Se o licenciado, ou qualquer empresa do seu grupo, der a terceiros acesso a modelos por API e a facturação agregada passar os 20 milhões de dólares em doze meses consecutivos, tem de avisar a Meta e assinar um acordo separado antes de continuar.

A regra não se aplica a uso interno, investigação, actividade comercial que não seja modelo-como-serviço, nem a modelos usados como componente de um produto próprio que não seja esse serviço. A Meta não reclama a propriedade dos resultados gerados.

A política de uso, datada do mesmo dia, diz que o modelo não se destina a menores de 18 anos e proíbe aplicações ligadas a militarismo e guerra, espionagem, armas, drogas, operação de infraestrutura crítica, desinformação e impersonação, entre outras.

Os números que a própria Meta publica

A avaliação é da Meta e o relatório de metodologia está prometido, mas ainda não saiu. Na tabela da empresa, o Muse Spark Open chega a 89,0 no GPQA Diamond e a 76,4 no Terminal-Bench 2.1, contra 93,5 e 85,0 dos melhores rivais da mesma tabela: lidera em algumas tarefas agênticas, não em todas.

Em segurança, a Meta diz que o modelo recusou 99,2% das tentativas de contorno no seu teste interno e 94,8% na agregação de três conjuntos públicos ligados a cibersegurança, contra 75,5% e 70,2% do Kimi K3 na mesma configuração.

O que isto ainda não é

Este não é o Muse Spark 1.1 que, em Agosto, atacou o sistema de uma empresa real durante uma avaliação de cibersegurança mal configurada. É um «checkpoint» diferente, com treino de segurança adicional — mas herda o nome e o historial.

Falta também saber o que isto significa para quem corre modelos em casa. Setecentos gigabytes de memória de vídeo, ou dois Mac Studio de topo com um terabyte de memória unificada, não são hardware doméstico: em 2026, o acesso prático a este modelo é por API.

Fica por saber se o limiar dos 20 milhões de dólares passa a ser o novo normal das licenças de pesos abertos. Até o relatório de avaliação sair, os números de desempenho são os que a empresa escolheu publicar.

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