Lançamento nocturno de um foguetão Falcon 9 visto de longe: o foguetão sobe com uma chama intensa, uma grande nuvem de exaustão iluminada junto às estruturas da base e encostas e árvores em silhueta em primeiro plano

Fotografia: U.S. Space Force / Airman Enso Valle — domínio público. Lançamento Transporter-17 (7 Jul 2026), imagem de arquivo, não do lançamento de 1 de Outubro.

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Itália fecha o Eaglet II: 24 satélites e 39 já em órbita no IRIDE

A Itália colocou em órbita o último lote de oito satélites da constelação Eaglet II, a 1 de Outubro, num Falcon 9 da missão partilhada Transporter-18, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia. Com este lançamento, o Eaglet II fica completo com 24 satélites e o programa nacional de observação da Terra IRIDE passa a ter 39 satélites em órbita.

Cada satélite do Eaglet II leva um sensor multiespectral, que recolhe imagens da superfície da Terra, e um receptor AIS, o sistema de identificação de navios usado na vigilância e segurança marítima. Foram construídos e testados pela italiana OHB Italia e serão entregues à Agência Espacial Italiana (ASI) para operação quando terminar o comissionamento.

O IRIDE não é uma constelação: é uma infraestrutura com seis constelações, 68 satélites previstos e oito domínios de serviço, paga pelo plano de recuperação italiano, com a ESA a desenvolver para a ASI. O produto final não são as imagens — são os serviços que delas saem.

Um programa nacional, não europeu

O IRIDE é uma missão nacional, iniciada pelo Governo italiano e desenvolvida pela Agência Espacial Europeia para a ASI. O financiamento vem do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência italiano (PNRR), complementado pelo Plano Nacional Complementar (PNC); a ESA não indica o montante aplicado no programa. A infraestrutura pertence à ASI, que assume progressivamente a responsabilidade operacional à medida que a ESA conclui o desenvolvimento e a validação. No total, o programa prevê 68 satélites distribuídos por seis constelações, com sensores radar e ópticos de resoluções espaciais, temporais e espectrais diferentes.

Oito domínios de serviço e um marketplace

O que o IRIDE entrega não são ficheiros de imagem: são serviços geospaciais para a administração pública italiana, organizados em oito domínios — monitorização marítima e costeira, qualidade do ar, movimento do solo, uso e ocupação do solo, hidrometeorologia e clima, recursos hídricos, emergências e segurança. As administrações acedem aos dados e produtos através do IRIDE Marketplace, e o desenho do sistema prevê a integração com os sistemas operacionais dos utilizadores institucionais.

«Este é um marco importante para o IRIDE. A Itália está mais um passo perto de conseguir apoiar plenamente vários serviços públicos de monitorização do seu território e das suas costas.» — Simonetta Cheli, directora dos Programas de Observação da Terra da ESA

O que falta

Com o Eaglet II fechado, o IRIDE continua a meio caminho: 39 dos 68 satélites previstos estão em órbita e a ESA fala de «lançamentos previstos para os próximos meses». A constelação completa não fecha o programa — a parte que transforma observações em decisões públicas é o segmento de serviços, que passa para as mãos da ASI. Nem a ESA nem a ASI indicam um prazo para a capacidade operacional total.

Eaglet II24 satélites, constelação completa
Lançamento final1 de Outubro de 2026 (20:32 na Europa Central, 11:32 na Califórnia)
FoguetãoFalcon 9, missão partilhada Transporter-18, Vandenberg (Califórnia)
Instrumentos do Eaglet IIsensor multiespectral + AIS
ConstruçãoOHB Italia
Satélites do IRIDE em órbita39
Total previsto do IRIDE68 satélites em seis constelações
DesenvolvimentoESA, para a ASI (proprietária)
FinanciamentoPNRR italiano, com o PNC
Domínios de serviço8, através do IRIDE Marketplace

Do outro lado: o que Portugal pôs em órbita

Portugal também usou dinheiro do PRR para pôr satélites em órbita: em Março deste ano lançou seis — quatro da Constelação Lusíada e dois para a Constelação do Atlântico, um de radar da Força Aérea e um óptico do CEiiA, segundo o Governo. A escala é outra e não se compara: o programa italiano prevê 68 satélites e tem 39 em órbita. Em Setembro, o Portugal Binário noticiou que o reforço do investimento português no espaço não resolve o problema de fundo, que o sector identifica como falta de escala industrial para transformar investimento em contratos.

Para a Itália, o que fica por medir é se estes serviços chegam às autarquias e à protecção civil a tempo de valerem o investimento. Para o resto da Europa, o IRIDE é o exemplo mais acabado de uma escolha política: um país que, além de participar no Copernicus, decidiu construir a sua própria infraestrutura nacional de observação da Terra.

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