O Governo abriu esta quarta-feira, 17 de junho, a consulta pública do Mapa Verde, a designação oficial das Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER). O instrumento identifica 1302 zonas prioritárias para projetos solares e eólicos em Portugal, como resultado da transposição da diretiva europeia RED III.
O Mapa Verde — nome adotado pelo Ministério do Ambiente e Energia (MAEn) para as ZAER — resulta de uma medida prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do trabalho técnico de uma equipa independente coordenada por Maria do Rosário Partidário, do LNEG. O modelo assenta em três princípios: simplificação do licenciamento elétrico, previsibilidade para investidores e integração antecipada de critérios ambientais e territoriais.
Segundo o relatório do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), publicado em maio de 2026, estão previstas 792 zonas para energia solar fotovoltaica (cobrindo ~371 348 hectares) e 510 zonas para eólica (~84 489 hectares). As ZAER funcionam como zonas preferenciais de localização — não excluem projetos noutras áreas do país, apenas orientam o investimento para territórios com menor sensibilidade ambiental e maior capacidade de integração na rede elétrica.
Coimbra lidera zonas solares, Beiras as eólicas
Em termos geográficos, Coimbra é o distrito com mais zonas solares mapeadas (113), seguido de Viseu Dão Lafões (68), Lezíria do Tejo (50), Região de Leiria (50) e Área Metropolitana do Porto (50). Quanto a percentagem de território coberto, destacam-se a Região de Aveiro (11,7% da área como potencial ZAER solar), a Beira Baixa (11%) e a Região de Coimbra (10,9%).
Os municípios de Albergaria-a-Velha, Mortágua, Pedrógão Grande, Proença-a-Nova, Sertã e Vila Nova da Barquinha têm áreas mapeadas para solar que representam pelo menos 25% do seu território municipal. Já as ZAER eólicas concentram-se maioritariamente nas Beiras e Serra da Estrela (92 zonas), Beira Baixa (62), Lezíria do Tejo (45) e Médio Tejo (36).
As ZAER orientam o investimento para territórios com menor sensibilidade ambiental e maior capacidade de rede — como esta paisagem híbrida de solar e eólico. Foto: Magnific via Jornal PT Green.
O Mapa Verde constitui um instrumento essencial para acelerar a transição energética em Portugal. Garante regras mais simples, maior previsibilidade e reforço da participação das comunidades locais, com equilíbrio entre energia, ambiente e território.
— Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia
A consulta pública decorre na plataforma Participa.pt e está aberta a cidadãos, municípios, entidades ambientais e promotores. O ministério sublinha que o instrumento reforça a simplificação regulatória e a participação pública, contribuindo para acelerar a transição energética em Portugal — um dos pilares do PRR e da meta de reduzir em 50% a dependência nacional de combustíveis fósseis até 2035.
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