Panorama da City de Londres visto das muralhas da Torre de Londres, com os arranha-céus do distrito financeiro, gruas de obra e as muralhas de pedra em primeiro plano, sob um céu azul.

Skyline da City de Londres em fotografia de arquivo de Oleg Yunakov (Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0). A imagem não mostra o centro de dados nem os serviços afectados.

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Uma zona de nuvem em Londres ficou sem energia e os serviços caíram

Às 07h08 de terça-feira, 20 de Outubro, a zona europe-west2 da Google Cloud, em Londres, ficou com vários serviços indisponíveis. A empresa confirmou mais tarde que a causa fora um evento de fornecimento de energia.

Ao longo do dia, empresas de sectores diferentes relataram problemas: a Revolut, o Lloyds, o HSBC, a filial britânica da ING, o Halifax. Em Portugal, as falhas no acesso a serviços da Revolut também se fizeram sentir, segundo o TEK.

Uma zona de disponibilidade é, na documentação da Google, «uma área de implementação dentro de uma região». A empresa recomenda distribuir os recursos por várias zonas, para que uma falha não afecte tudo ao mesmo tempo, e diz desenhar as zonas para reduzir o risco de falhas correlacionadas de electricidade, refrigeração ou rede. Foi uma dessas que falhou esta terça-feira.

Uma zona de nuvem é um ponto único de falha com endereço postal. O que chegou ao utilizador final foi uma aplicação de banco fechada, cartões recusados no terminal e transferências que não saíam: os sintomas de uma zona de infraestrutura sem electricidade.

A manhã na página de estado da Google

O primeiro aviso da página de estado da Google reconhecia «erros elevados e falhas de rede intermitentes» em vários serviços da região. Só ao meio da manhã nomeou a causa — um evento relacionado com o fornecimento de energia — e indicou que os clientes afectados pudessem, se possível, mover as cargas para outra zona ou região.

O último aviso, ao fim da tarde, dava o problema por mitigado para a maioria dos clientes, com um número muito reduzido ainda afectados, e prometia publicar a análise do incidente depois da investigação interna.

Zona afectadaeurope-west2-b, na região europe-west2 (Londres)
Início do incidente07h08 de 20 Out 2026, hora de Lisboa
Causa declaradaevento de fornecimento de energia
Primeiro aviso público09h35
Causa nomeada12h12
Energia dada por reposta12h58
Recuperação da maioria das cargas de trabalho13h44
Último aviso15h03, sem mais actualizações
Tempo entre o início e o último avisoquase oito horas
Análise interna do incidenteprometida, sem data
Linha do tempo do incidente: às 07h08 o problema começa na zona europe-west2; às 09h35 a Google publica a primeira actualização; às 12h12 nomeia a causa, um evento de fornecimento de energia; às 12h58 dá a energia por reposta; às 13h44 confirma a recuperação da maioria das cargas de trabalho; e às 15h03 publica o último aviso, sem mais actualizações. Em baixo, o que a Google confirmou e o que ficou por confirmar.

A sequência de avisos da página de estado da Google Cloud, com as horas convertidas para Lisboa, e a lista do que ficou por confirmar. Infografia do Portugal Binário.

Crédito: Infografia do Portugal Binário, com dados da página de estado da Google Cloud (19–20 out. 2026)

Quem caiu, e quem disse o quê

A Revolut foi a mais visível: a aplicação deixou de abrir, os cartões eram recusados nos terminais de pagamento e os levantamentos em multibanco e as transferências falhavam. A empresa garantiu que «podemos confirmar que o dinheiro e os dados de todos os nossos clientes estão seguros» e que trabalhava no problema desde que foi identificado, nessa manhã.

O Lloyds reconheceu que «alguns clientes têm problemas com a nossa aplicação e com o banco online». O HSBC confirmou «dificuldades em aceder aos nossos serviços» e acrescentou que a situação «também está a afectar outras organizações». Pela Reuters, citada pelo TEK, a filial britânica da ING e o Halifax também relataram problemas nos serviços online.

ServiçoO que foi reportadoQuem deu conta
RevolutAplicação inacessível, cartões recusados, transferências e levantamentos falhadosDeclaração da empresa
LloydsProblemas na aplicação e no banco onlineConfirmação da empresa
HSBC«Dificuldades em aceder aos serviços»Confirmação da empresa
ING (Reino Unido) e HalifaxProblemas nos serviços onlineReuters, citada pelo TEK
Royal Mail e RightmoveRelatos de indisponibilidadeDowndetector, via Euronews
Serviços do NHS no Reino UnidoRelatos de falhasDowndetector, via TEK
PortugalFalhas no acesso a serviços da RevolutTEK

Relatos de utilizadores chegaram do Reino Unido, da Irlanda, de França, de Espanha e do Japão, segundo a Euronews. A mesma fonte compara a dimensão do banco: mais de 80 milhões de clientes de retalho, com os maiores mercados no Reino Unido, em Espanha e em França, e mais de 750 mil empresas a usar o Revolut Business.

Os relatos de utilizadores em vários países foram recolhidos por serviços de agregação de estado, como o Downdetector, que conta queixas de utilizadores. Não é uma fonte oficial de cada serviço, e serve para medir a escala do que se passava, não para confirmar a causa.

O que a causa ainda não é

Ninguém falou em causalidade. A Google confirmou que houve uma falha de energia na zona de Londres; a Revolut confirmou a interrupção dos seus serviços, mas não apontou a causa; a Euronews atribui a ligação à Google Cloud a uma fonte junto ao caso, e não a uma confirmação oficial.

A análise interna prometida pela Google não foi publicada e não tem data. Até lá, o que está demonstrado é que uma zona da infraestrutura europeia ficou sem electricidade numa terça-feira de manhã.

A orientação prática está na documentação da Google: os recursos devem ser distribuídos por várias zonas e regiões, porque as zonas são desenhadas para reduzir o risco de falhas correlacionadas de electricidade, refrigeração ou rede. Foi a mesma recomendação que a empresa fez durante o incidente — mover as cargas para outra zona, se fosse possível.

  • A análise interna do incidente: a Google prometeu publicá-la depois da investigação interna, sem data anunciada.
  • O número de clientes ainda afectados: o último aviso falou em «um número muito reduzido», sem quantificar.
  • A causa das falhas na Revolut e nos bancos: nenhuma das empresas a assumiu publicamente, e a ligação à Google Cloud continua a ser uma inferência de imprensa.

O incidente já não é notícia de serviço: a maioria dos clientes voltou a ter os serviços e a Revolut voltou a funcionar. Ficam duas esperas. A análise interna da Google, que deverá explicar como é que uma zona de Londres fica sem electricidade.

E a confirmação, ou não, de que a Google Cloud estava por trás das falhas dos bancos: essa continua a ser uma inferência, e só o tempo ou a investigação a podem transformar em facto.

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