Às 07h08 de terça-feira, 20 de Outubro, a zona europe-west2 da Google Cloud, em Londres, ficou com vários serviços indisponíveis. A empresa confirmou mais tarde que a causa fora um evento de fornecimento de energia.
Ao longo do dia, empresas de sectores diferentes relataram problemas: a Revolut, o Lloyds, o HSBC, a filial britânica da ING, o Halifax. Em Portugal, as falhas no acesso a serviços da Revolut também se fizeram sentir, segundo o TEK.
Uma zona de disponibilidade é, na documentação da Google, «uma área de implementação dentro de uma região». A empresa recomenda distribuir os recursos por várias zonas, para que uma falha não afecte tudo ao mesmo tempo, e diz desenhar as zonas para reduzir o risco de falhas correlacionadas de electricidade, refrigeração ou rede. Foi uma dessas que falhou esta terça-feira.
A manhã na página de estado da Google
O primeiro aviso da página de estado da Google reconhecia «erros elevados e falhas de rede intermitentes» em vários serviços da região. Só ao meio da manhã nomeou a causa — um evento relacionado com o fornecimento de energia — e indicou que os clientes afectados pudessem, se possível, mover as cargas para outra zona ou região.
O último aviso, ao fim da tarde, dava o problema por mitigado para a maioria dos clientes, com um número muito reduzido ainda afectados, e prometia publicar a análise do incidente depois da investigação interna.
| Zona afectada | europe-west2-b, na região europe-west2 (Londres) |
|---|---|
| Início do incidente | 07h08 de 20 Out 2026, hora de Lisboa |
| Causa declarada | evento de fornecimento de energia |
| Primeiro aviso público | 09h35 |
| Causa nomeada | 12h12 |
| Energia dada por reposta | 12h58 |
| Recuperação da maioria das cargas de trabalho | 13h44 |
| Último aviso | 15h03, sem mais actualizações |
| Tempo entre o início e o último aviso | quase oito horas |
| Análise interna do incidente | prometida, sem data |
A sequência de avisos da página de estado da Google Cloud, com as horas convertidas para Lisboa, e a lista do que ficou por confirmar. Infografia do Portugal Binário.
Crédito: Infografia do Portugal Binário, com dados da página de estado da Google Cloud (19–20 out. 2026)
Quem caiu, e quem disse o quê
A Revolut foi a mais visível: a aplicação deixou de abrir, os cartões eram recusados nos terminais de pagamento e os levantamentos em multibanco e as transferências falhavam. A empresa garantiu que «podemos confirmar que o dinheiro e os dados de todos os nossos clientes estão seguros» e que trabalhava no problema desde que foi identificado, nessa manhã.
O Lloyds reconheceu que «alguns clientes têm problemas com a nossa aplicação e com o banco online». O HSBC confirmou «dificuldades em aceder aos nossos serviços» e acrescentou que a situação «também está a afectar outras organizações». Pela Reuters, citada pelo TEK, a filial britânica da ING e o Halifax também relataram problemas nos serviços online.
| Serviço | O que foi reportado | Quem deu conta |
|---|---|---|
| Revolut | Aplicação inacessível, cartões recusados, transferências e levantamentos falhados | Declaração da empresa |
| Lloyds | Problemas na aplicação e no banco online | Confirmação da empresa |
| HSBC | «Dificuldades em aceder aos serviços» | Confirmação da empresa |
| ING (Reino Unido) e Halifax | Problemas nos serviços online | Reuters, citada pelo TEK |
| Royal Mail e Rightmove | Relatos de indisponibilidade | Downdetector, via Euronews |
| Serviços do NHS no Reino Unido | Relatos de falhas | Downdetector, via TEK |
| Portugal | Falhas no acesso a serviços da Revolut | TEK |
Relatos de utilizadores chegaram do Reino Unido, da Irlanda, de França, de Espanha e do Japão, segundo a Euronews. A mesma fonte compara a dimensão do banco: mais de 80 milhões de clientes de retalho, com os maiores mercados no Reino Unido, em Espanha e em França, e mais de 750 mil empresas a usar o Revolut Business.
Os relatos de utilizadores em vários países foram recolhidos por serviços de agregação de estado, como o Downdetector, que conta queixas de utilizadores. Não é uma fonte oficial de cada serviço, e serve para medir a escala do que se passava, não para confirmar a causa.
O que a causa ainda não é
Ninguém falou em causalidade. A Google confirmou que houve uma falha de energia na zona de Londres; a Revolut confirmou a interrupção dos seus serviços, mas não apontou a causa; a Euronews atribui a ligação à Google Cloud a uma fonte junto ao caso, e não a uma confirmação oficial.
A análise interna prometida pela Google não foi publicada e não tem data. Até lá, o que está demonstrado é que uma zona da infraestrutura europeia ficou sem electricidade numa terça-feira de manhã.
A orientação prática está na documentação da Google: os recursos devem ser distribuídos por várias zonas e regiões, porque as zonas são desenhadas para reduzir o risco de falhas correlacionadas de electricidade, refrigeração ou rede. Foi a mesma recomendação que a empresa fez durante o incidente — mover as cargas para outra zona, se fosse possível.
- A análise interna do incidente: a Google prometeu publicá-la depois da investigação interna, sem data anunciada.
- O número de clientes ainda afectados: o último aviso falou em «um número muito reduzido», sem quantificar.
- A causa das falhas na Revolut e nos bancos: nenhuma das empresas a assumiu publicamente, e a ligação à Google Cloud continua a ser uma inferência de imprensa.
O incidente já não é notícia de serviço: a maioria dos clientes voltou a ter os serviços e a Revolut voltou a funcionar. Ficam duas esperas. A análise interna da Google, que deverá explicar como é que uma zona de Londres fica sem electricidade.
E a confirmação, ou não, de que a Google Cloud estava por trás das falhas dos bancos: essa continua a ser uma inferência, e só o tempo ou a investigação a podem transformar em facto.
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