O Web Summit 2026 esgotou o espaço de exposição, garante o cofundador e CEO Paddy Cosgrave. Num post publicado hoje no LinkedIn, lido por este artigo, o organizador anuncia «o maior de sempre», com mais de 3 mil empresas a reservarem espaço para a edição que decorre em Lisboa de 9 a 12 de Novembro.
Cosgrave detalha que a organização vai construir 30 mil metros quadrados de halls temporários e que contratou mais de 100 pessoas a tempo inteiro este ano. «Têm sido uns meses loucos», escreve o CEO, que promete aos participantes vindos de mais de 100 países «uma janela para o futuro da tecnologia».
Vista de arquivo do espaço de exposição na Feira Internacional de Lisboa (edição de 2017): este ano, a organização fala em 30 mil metros quadrados de halls temporários. Web Summit — CC BY 2.0.
Crédito: Web Summit (Cody Glenn) — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Esgotado também para 2027 e 2028
Não fica pela edição deste ano: «todo o espaço principal de 2027 e de 2028 também já está vendido», escreve Cosgrave. Na página oficial de parcerias, o evento já abriu candidaturas de parceria para 2027 — o espaço de 2026 não tem mais para dar.
A procura adiantada convive com o crescimento noutras geografias: além de Lisboa, a organização realiza edições no Brasil e no Qatar, e planeia-se também no Canadá.
As estreias: a Apple e a IA chinesa
Entre as estreias anunciadas estão a Apple e a GLM, que Cosgrave apelida de «fenómeno de IA da China». «Companhias como a Apple e a GLM juntam-se a nós pela primeira vez em Lisboa», escreve. Ao fecho deste artigo, a Apple não constava das listas oficiais de oradores nem de parceiros do evento — a estreia fica, por isso, como declaração do organizador, sem confirmação independente.
A presença chinesa vinha já a preparar-se: na semana passada, a organização anunciou que o Web Summit traria cerca de 30 empresas chinesas de IA, naquilo que Cosgrave classificou de «primeira onda». A lista oficial de oradores confirma nomes da Zhipu AI — a empresa por trás da GLM —, da Manus, da MiMo da Xiaomi, da Tencent/Hy4 e das robóticas Agibot e Galbot.
A escala que a organização reclama
Os números da organização para a edição de 2025: 71 386 participantes de 157 países, 2 725 startups de 108 países e 1 857 investidores — mais 74 por cento do que em 2024. No post de hoje, Cosgrave fala em «mais de 10 mil startups», um número que não bate certo com os 2 725 da edição passada e que este artigo não adopta como facto.
| Datas | 9–12 de Novembro de 2026 |
|---|---|
| Local | MEO Arena e FIL, Lisboa |
| Empresas expositoras | mais de 3 000 (declaração da organização) |
| Halls temporários | 30 000 m² |
| Participantes na edição de 2025 | 71 386 (157 países) |
| Startups na edição de 2025 | 2 725 (108 países) |
| Investidores em 2025 | 1 857 (+74% face a 2024) |
Lisboa paga o palco
O evento está em Lisboa desde 2016 e, em 2018, garantiu uma década por contrato: 11 milhões de euros anuais de investimento público, dos quais três milhões por ano a cargo da Câmara, via Associação de Turismo de Lisboa.
Os custos reais ficaram acima disso. Actualizado à inflação e somando encargos com montagens, electricidade e segurança, o município terá gasto mais de 60 milhões de euros com o Web Summit desde 2019 — uma média de 8,6 milhões por ano, e acima de 10 milhões nas últimas três edições —, segundo o Diário de Notícias, citado pelo SAPO TEK.
Em Setembro, a Câmara aprovou uma proposta de oito milhões de euros para apoiar a candidatura da Associação de Turismo de Lisboa à organização do evento depois de 2028. O executivo de Carlos Moedas, adverte o mesmo artigo, considera que uma eventual prorrogação do contrato passa por reduzir os custos municipais.
O futuro tem concorrência declarada: em Dezembro de 2025, o vice-ministro polaco dos Assuntos Digitais, Rafal Rosinski, disse à agência PAP que estavam em curso negociações para «transferir o Web Summit de Lisboa para a Polónia». Cosgrave tem garantido o contrário — «o Web Summit encaixa perfeitamente em Lisboa e espero ficar aqui para sempre», disse em 2024 — e prometeu só daqui a dois anos começar a pensar no tema.
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