Palco Central do Web Summit na Altice Arena, em Lisboa, com o logótipo do evento, ecrãs coloridos e o público durante a noite de abertura de 2018

Fotografia de arquivo (noite de abertura do Web Summit 2018, Altice Arena): Stephen McCarthy/Web Summit — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

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Web Summit 2026 esgotou o espaço de exposição e conta com a estreia da Apple em Lisboa

O Web Summit 2026 esgotou o espaço de exposição, garante o cofundador e CEO Paddy Cosgrave. Num post publicado hoje no LinkedIn, lido por este artigo, o organizador anuncia «o maior de sempre», com mais de 3 mil empresas a reservarem espaço para a edição que decorre em Lisboa de 9 a 12 de Novembro.

Cosgrave detalha que a organização vai construir 30 mil metros quadrados de halls temporários e que contratou mais de 100 pessoas a tempo inteiro este ano. «Têm sido uns meses loucos», escreve o CEO, que promete aos participantes vindos de mais de 100 países «uma janela para o futuro da tecnologia».

Espaço de exposição do Web Summit na Feira Internacional de Lisboa, com visitantes junto a um stand e uma câmara de Apple Watch em exposição

Vista de arquivo do espaço de exposição na Feira Internacional de Lisboa (edição de 2017): este ano, a organização fala em 30 mil metros quadrados de halls temporários. Web Summit — CC BY 2.0.

Crédito: Web Summit (Cody Glenn) — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Esgotado também para 2027 e 2028

Não fica pela edição deste ano: «todo o espaço principal de 2027 e de 2028 também já está vendido», escreve Cosgrave. Na página oficial de parcerias, o evento já abriu candidaturas de parceria para 2027 — o espaço de 2026 não tem mais para dar.

A procura adiantada convive com o crescimento noutras geografias: além de Lisboa, a organização realiza edições no Brasil e no Qatar, e planeia-se também no Canadá.

As estreias: a Apple e a IA chinesa

Entre as estreias anunciadas estão a Apple e a GLM, que Cosgrave apelida de «fenómeno de IA da China». «Companhias como a Apple e a GLM juntam-se a nós pela primeira vez em Lisboa», escreve. Ao fecho deste artigo, a Apple não constava das listas oficiais de oradores nem de parceiros do evento — a estreia fica, por isso, como declaração do organizador, sem confirmação independente.

A presença chinesa vinha já a preparar-se: na semana passada, a organização anunciou que o Web Summit traria cerca de 30 empresas chinesas de IA, naquilo que Cosgrave classificou de «primeira onda». A lista oficial de oradores confirma nomes da Zhipu AI — a empresa por trás da GLM —, da Manus, da MiMo da Xiaomi, da Tencent/Hy4 e das robóticas Agibot e Galbot.

Esgotou 2026 e vendeu o essencial de 2027 e 2028: a procura pelo Web Summit antecipou-se — enquanto o futuro do evento em Lisboa, e o custo que paga o palco, continuam em aberto.

A escala que a organização reclama

Os números da organização para a edição de 2025: 71 386 participantes de 157 países, 2 725 startups de 108 países e 1 857 investidores — mais 74 por cento do que em 2024. No post de hoje, Cosgrave fala em «mais de 10 mil startups», um número que não bate certo com os 2 725 da edição passada e que este artigo não adopta como facto.

Datas9–12 de Novembro de 2026
LocalMEO Arena e FIL, Lisboa
Empresas expositorasmais de 3 000 (declaração da organização)
Halls temporários30 000 m²
Participantes na edição de 202571 386 (157 países)
Startups na edição de 20252 725 (108 países)
Investidores em 20251 857 (+74% face a 2024)

Lisboa paga o palco

O evento está em Lisboa desde 2016 e, em 2018, garantiu uma década por contrato: 11 milhões de euros anuais de investimento público, dos quais três milhões por ano a cargo da Câmara, via Associação de Turismo de Lisboa.

Os custos reais ficaram acima disso. Actualizado à inflação e somando encargos com montagens, electricidade e segurança, o município terá gasto mais de 60 milhões de euros com o Web Summit desde 2019 — uma média de 8,6 milhões por ano, e acima de 10 milhões nas últimas três edições —, segundo o Diário de Notícias, citado pelo SAPO TEK.

Em Setembro, a Câmara aprovou uma proposta de oito milhões de euros para apoiar a candidatura da Associação de Turismo de Lisboa à organização do evento depois de 2028. O executivo de Carlos Moedas, adverte o mesmo artigo, considera que uma eventual prorrogação do contrato passa por reduzir os custos municipais.

O futuro tem concorrência declarada: em Dezembro de 2025, o vice-ministro polaco dos Assuntos Digitais, Rafal Rosinski, disse à agência PAP que estavam em curso negociações para «transferir o Web Summit de Lisboa para a Polónia». Cosgrave tem garantido o contrário — «o Web Summit encaixa perfeitamente em Lisboa e espero ficar aqui para sempre», disse em 2024 — e prometeu só daqui a dois anos começar a pensar no tema.

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