Ilustração de artista de um satélite em órbita, com o corpo revestido de material térmico brilhante e dois grandes painéis solares azuis abertos de cada lado, sobre fundo negro salpicado de estrelas.

ESA — ilustração do satélite de sondagem MTG-S, que passou a chamar-se Meteosat-13 (ESA418057, CC BY-SA 3.0 IGO)

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Meteosat-13: a Europa passa a medir a atmosfera a cada 30 minutos

A EUMETSAT declarou operacionais a 13 de outubro os dados do Infrared Sounder (IRS) a bordo do MTG-S1, o primeiro satélite de sondagem da terceira geração do programa Meteosat. No mesmo dia o satélite passou a chamar-se Meteosat-13: no programa europeu, o nome definitivo só é atribuído quando o instrumento entra ao serviço. O lançamento tinha sido a 1 de julho de 2025, e os dados circulavam em modo pré-operacional desde o final de julho.

Não é uma câmara: é um termómetro que vê em profundidade

O instrumento funciona pelo mesmo princípio de uma câmara térmica, mas mede 1 953 comprimentos de onda no infravermelho — 877 na banda longa e 1 076 na média —, cada um com um sinal que chega de altitudes e de constituintes diferentes da atmosfera. É essa decomposição que lhe permite reconstruir, a cada 30 minutos, o perfil vertical de temperatura, humidade e gases vestigiais sobre a Europa, e seguir também ozono, poeiras e cinzas vulcânicas.

InstrumentoInfrared Sounder (IRS), primeiro sondeador europeu em órbita geostacionária
Amostras espectrais1 953 (877 no infravermelho longo, 1 076 no médio)
Cadênciaperfis da atmosfera a cada 30 minutos
O que medetemperatura, humidade e gases vestigiais em altitude; ozono, poeiras e cinzas vulcânicas
Segundo instrumento a bordoSentinel-4, para a qualidade do ar (dados operacionais previstos para 2027)
Lançamento1 de julho de 2025
OperaçãoEUMETSAT; sistema desenvolvido com a ESA e construído por um consórcio europeu liderado pela Thales Alenia Space, com a OHB responsável pelo satélite de sondagem
Dois satélites idênticos vistos lado a lado sobre fundo negro estrelado, cada um com dois painéis solares rectangulares acima e abaixo do corpo e uma antena circular à esquerda.

Os dois tipos de satélite do sistema MTG: os imageadores (MTG-I) e os de sondagem (MTG-S). O imageador traz o detalhe espacial de nuvens e relâmpagos; o sondeador acrescenta a temperatura e a humidade em altitude. Ilustração da ESA, não é uma fotografia.

O que o sondeador acrescenta ao que já existe

A Europa já tem imageadores em órbita geostacionária: o Meteosat-12 está em operação e o MTG-I2, lançado a 27 de agosto, continua em comissionamento e vai varrer a Europa a cada 2,5 minutos. A diferença é de natureza. Um imageador vê nuvens e superfícies com grande detalhe espacial; um sondeador vê a estrutura vertical da atmosfera — onde a instabilidade se forma antes de existir uma nuvem para fotografar.

Os serviços meteorológicos nacionais dos Estados-membros da EUMETSAT podem agora usar estes dados para detectar sinais de instabilidade atmosférica ainda antes de as nuvens começarem a formar-se. Juntamente com os sensores de imagem e de relâmpagos dos satélites MTG-I e a sua rapidez de revisita, dão uma verdadeira visão quadridimensional da atmosfera.

— Phil Evans, director-geral da EUMETSAT — tradução do original em inglês

A combinação dos dois tipos de satélite é o argumento central do sistema. Tony McNally, responsável pela assimilação do sistema terrestre no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), resume-a assim: os imageadores trazem o detalhe espacial que segue nuvens, relâmpagos e incêndios; o sondeador acrescenta a terceira dimensão de temperatura e humidade a diferentes altitudes. «É uma combinação muito poderosa e, quando usada nos nossos modelos de previsão, permite-nos fornecer previsões mais precisas e melhores avisos de tempo severo», afirmou.

Porque é que isto interessa em Portugal

Portugal é Estado-membro da EUMETSAT e passa a ter acesso operacional a estes dados, distribuídos pelo sistema EUMETCast e pelo Data Store da agência. O ganho que a EUMETSAT coloca à frente é a antecedência: cheias repentinas, tempestades violentas, granizo e ventos perigosos são os fenómenos em que detectar a instabilidade antes de ela se ver na nuvem vale minutos de aviso. Os dados permitem ainda seguir poeiras do Saara e cinzas vulcânicas, que afectam a qualidade do ar e o tráfego aéreo europeu.

A Europa juntou as duas peças que faltavam para ver a atmosfera em quatro dimensões — a imagem rápida e o perfil vertical. O ganho não está numa imagem mais bonita: está em avisar mais cedo quem tem de decidir evacuar, fechar estradas ou lançar meios de protecção civil.

O que fica por saber

O sistema ainda não está completo. O MTG-I2 continua em fase de comissionamento e o segundo instrumento a bordo do Meteosat-13, o Sentinel-4, que mede poluentes atmosféricos para o programa Copernicus, só deverá começar a entregar dados operacionais em 2027. E há uma distância entre entrar em serviço e produzir melhor previsão: isso mede-se nos modelos que assimilam os dados, não no anúncio. A EUMETSAT publicou também uma animação construída a partir de observações reais, que junta o sondeador ao imageador — uma demonstração do que o sistema faz, não ainda o sistema a funcionar a pleno.

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