Encosta de serra coberta de mato baixo, com grandes manchas cor de vinho de urze em flor e manchas amarelas de giesta, atravessada por uma linha de postes; no cimo da crista erguem-se quatro antenas de telecomunicações, sob céu azul.

Gazilion / Wikimedia Commons — CC0 (arquivo: Serra do Marão na primavera, 2015; não é o piloto do projecto)

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Fire Resist: 9,8 milhões para drones largarem retardante no Marão

Um consórcio liderado pela Drivetel, empresa de engenharia de telecomunicações do Greengray Group, vai investir 9,8 milhões de euros no Fire Resist, um projecto que junta sensores, modelos preditivos e enxames de drones para prevenir e atacar incêndios florestais na fase inicial. A apresentação pública está marcada para 20 de Outubro, no Salão do Marquês, em Lisboa.

O terreno do piloto são cerca de 6 000 hectares de baldios na Serra do Marão — mato contínuo, sem aproveitamento agrícola, que é justamente o combustível que faz correr o fogo. A sessão inclui a assinatura de protocolos de colaboração entre entidades públicas e privadas.

A pergunta que o projecto tem de responder não é se um drone levanta 50 quilos de retardante: é se o sistema deteta o foco, decide e chega lá antes de o foco deixar de ser pequeno.

Como o sistema está desenhado

O anúncio descreve quatro etapas. Primeiro a deteção, com torres e sensores inteligentes. Depois a análise por algoritmos de inteligência artificial, que têm de distinguir um foco de incêndio de fenómenos como o nevoeiro.

A seguir o alerta às entidades competentes, Protecção Civil e bombeiros. Por fim a mobilização de um enxame de drones orientados por GPS, cada um com capacidade para transportar até 50 quilos de líquido retardante.

Há mais do que drones. O consórcio fala em modelos preditivos e gémeos digitais da floresta, monitorização da saúde da vegetação com sensores multiespectrais e tecnologia LiDAR, gestão de combustíveis com rebanhos e pastagens, retenção de água, valorização energética de biomassa e certificação digital de carbono, tudo integrado numa plataforma de apoio à decisão.

Quem assina o projecto

São oito parceiros: Drivetel, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, CoLAB ForestWISE, Fraunhofer Portugal AWAM, IMMERA, Fisola, Electroclima e Turnpage.

A Drivetel existe desde 1999 e trabalha em redes móveis, fixas e híbridas e em infraestruturas críticas — um perfil de engenharia de rede, não de silvicultura, o que ajuda a explicar o peso das comunicações e da deteção no desenho. O papel de cada parceiro não vem detalhado no anúncio.

Imagem de satélite de Portugal com nomes de cidades sobrepostos e uma vasta camada de fumo a atravessar o centro do território, de Coimbra para leste, em tons de cinzento-claro sobre o verde e o castanho do terreno.

18 de Junho de 2017, visto do satélite: o fumo dos incêndios daquele dia cobre o centro do país, de Coimbra a Castelo Branco. É a escala do problema que o projecto diz querer atacar — não é a Serra do Marão nem o sistema do Fire Resist.

Crédito: NASA, MODIS (Worldview) / Wikimedia Commons — domínio público

O que o anúncio não diz

Não é indicado o programa de financiamento. O anúncio diz que o consórcio vai investir 9,8 milhões de euros, mas não diz se vêm de capital próprio, de fundos europeus ou de um aviso nacional — e a diferença conta quando um projecto é apresentado a poucos dias de decisões de financiamento.

Também não há número de drones, orçamento por fase, calendário depois da apresentação nem métricas de avaliação. Para um sistema que promete «intervir numa fase inicial do incêndio», o tempo entre deteção e largada é o número que interessa, e não foi publicado.

O projecto é descrito como «reconhecido como Operação de Importância Estratégica no âmbito da plataforma europeia STEP». A STEP — Tecnologias Estratégicas para a Europa — existe para canalizar apoios a tecnologias consideradas estratégicas. Um reconhecimento neste âmbito não é, por si, um financiamento, e o anúncio não estabelece essa ligação.

A comparação que convém evitar

Não é o primeiro projecto português a juntar drones e risco de incêndio. O FIRECOM, da Axtron Systems, de Castelo Branco, mede a biomassa das faixas de contenção obrigatórias junto a estradas com drones e inteligência artificial, e foi financiado numa convocatória do projecto europeu CHAMELEON.

O que o Fire Resist acrescenta, no papel, é a largada de retardante a partir do ar — e é aí que se deve pedir prova.

O que fica por confirmar depois de 20 de Outubro

A sessão inclui um vídeo de demonstração técnica do funcionamento previsto. Demonstração não é ensaio de campo, e a diferença entre as duas coisas é o que separa um projecto de financiamento de um sistema operacional. As perguntas a fazer são terra-a-terra: quantos hectares cobre cada torre, quantos drones voam em simultâneo, quem autoriza a largada e com que responsabilidade.

Investimento anunciado9,8 milhões de euros
LíderDrivetel (Greengray Group)
Parceirosoito
Área pilotocerca de 6 000 hectares de baldios, Serra do Marão
Dronesenxame orientado por GPS, até 50 quilos de líquido retardante cada
Apresentação pública20 de Outubro de 2026, 10h00–13h00, Salão do Marquês, Lisboa
Programa de financiamentonão indicado no anúncio

Fica o essencial: 9,8 milhões de euros, oito parceiros e uma serra com milhares de hectares de mato — e uma promessa que só se mede quando houver um incêndio a sério num dia de vento.

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